Matt Dunham/AP
Matt Dunham/AP

Após 12 empates, campeão mundial de xadrez pode ser definido mesmo sem um vencedor na final

Favorito, norueguês Magnus Carlsen enfrenta o norte-americano Fabiano Caruana em Londres

O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2018 | 05h00

O prodígio norueguês Magnus Carlsen, tricampeão mundial, e o norte americano Fabiano Caruana voltam a se enfrentar nesta quarta-feira para decidir o Campeonato Mundial de Xadrez, em Londres, após 12 empates consecutivos. Carlsen, 27 anos, é considerado o melhor jogador da história. Já Caruana, 26 anos, é o primeiro norte-americano a chegar a uma decisão de título mundial desde o grande mestre de xadrez Bobby Fischer, em 1972.

Carlsen se tornou, em 2010, com 19 anos, o mais jovem a assumir o topo do ranking mundial. Na Noruega, ele virou tema de livros e filmes e o xadrez se popularizou, entre adultos e crianças, por causa do seu sucesso internacional.

Nesta quarta-feira, o campeonato será decidido no tie-break, formado por quatro jogos rápidos, em que cada jogador terá de fazer os seus movimentos em 25 minutos. Se o empate persistir, Carlsen e Caruana se enfrentarão em dois jogos de blitz (cinco minutos por jogador por partida, com três segundos adicionados após cada jogada). Caso não tenha um vencedor após esse dois jogos, eles terão mais duas partidas.

O regulamento prevê ainda um jogo do Armageddon em caso de novo empate. Por sorteio aleatório, um jogador ficaria com as peças brancas e teria cinco minutos para jogar. O outro ficaria com as peças pretas e apenas quatro minutos. Em caso de empate, o jogador que ficou com as peças negras - e desvantagem no tempo - é escolhido como campeão.

Carlsen é apontado como favorito por causa do seu ótimo desempenho em jogos rápidos. Este será o segundo Campeonato Mundial de Xadrez consecutivo que será decidido nos tie-breakers. Em 2016, Carlsen venceu o russo Sergey Karjakin, em Nova York, por 3 a 1 nos jogos rápidos.

"Acho que tenho ótimas oportunidades", disse o norueguês após o 12.º empate com Caruana. Na última segunda-feira, foi Carlsen quem propôs o empate após 31 lances, e Caruana aceitou. A decisão foi criticada por alguns fãs na internet.

Comentaristas e computadores de xadrez dão uma ligeira vantagem ao norueguês. A lenda do xadrez Garry Kasparov, no entanto, não está tão confiante em Carlsen. Para o russo ex-campeão do mundo, Carlsen teve vantagem na partida de segunda-feira, mas acabou empatando porque perdeu a coragem. "O desempate exige enorme ousadia e parece que ele está perdendo isso", disse Kasparov.

O Campeonato Mundial de Xadrez paga US$ 1,1 milhão (quase R$ 4 milhões) em prêmios, sendo que 60% fica com o vencedor, ou 55% caso o título seja decidido pelos tie-breakers.

O torneio tem atraído a atenção de fãs em todo o mundo pela internet. A lista de patrocinadores tem empresas como PhosAgro, uma gigantesca empresa internacional de fertilizantes baseada na Rússia; Kaspersky Lab, uma das principais empresas de segurança da informação do mundo; S.T. Dupont, um dos principais fabricantes franceses de artigos de luxo; Prytek, uma empresa russa de capital de risco especializada em tecnologia e serviços financeiros; e a Unibet, uma operadora de jogos de azar on-line que opera em mais de 100 países.

A expectativa é por um dia longo e árduo nesta quarta-feira no The College in Holborn, local de disputa do Campeonato Mundial de Xadrez em Londres. Talvez ninguém consiga ganhar uma partida. Mas pelo menos haverá, finalmente, um campeão mundial.

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