Ethan Miller/AFP
Ethan Miller/AFP

Após 20 anos no Patriots, Tom Brady começa a temporada em alta no Buccaneers

Astro do esporte e marido de Gisele Bündchen se torna o quarterback com mais touchdowns na história da liga e traz esperança aos fãs da franquia da Flórida de voltarem aos playoffs

Luis Filipe Santos, especial para o Estadão

26 de outubro de 2020 | 08h30

Aos 43 anos, ele foi seis vezes campeão de uma das ligas esportivas mais ricas do mundo. E ainda o maior nome de uma franquia ao longo de 20 anos. Tom Brady, com certeza, já está na história do futebol americano. Contudo, ainda assim ele decidiu sair do New England Patriots, onde ficou por 20 anos, e ir para o Tampa Bay Buccaneers e seguir jogando na NFL. O marido de Gisele Bündchen não desapontou nos primeiros jogos da temporada 2020-21 na nova franquia, e ainda alcançou um recorde: o quarterback que lançou para mais touchdowns na carreira.

Até o momento, o Buccanners foi batido por New Orleans Saints (34-23) e Chicago Bears (20-19) e derrotou Carolina Panthers (31-17), Denver Broncos (28-10), Los Angeles Chargers (38-31), Green Bay Packers (38-10) e Oakland Raiders (45-20). A equipe lidera a divisão sul da NFC, uma das conferências, posição que neste momento garantiria a volta da franquia da Flórida aos playoffs após 13 anos de ausência. Tom Brady tem méritos nisso. Muitos méritos.

Individualmente, Brady oscilou, mas vem crescendo em campo, já coberto de neve em algumas cidades. O quarterback completou 176 passes de 268 tentados até o momento, uma porcentagem de 65,6% de acerto, próxima à da temporada de 2018, ano em que venceu o Super Bowl com o Patriots e acima da de 2019, quando acertou 60,8% dos passes que tentou em seu último ano em New England. Não é pouco.

Brady também já lançou para 1910 jardas, e, caso continue no mesmo ritmo, poderá chegar a 4365 jardas, número abaixo dos melhores anos da sua carreira, mas perto do que vinha apresentando nos últimos anos em que o Patriots foi campeão. Também já completou 17 passes para touchdown e, se mantiver a média, pode alcançar 39, essa sim uma marca parecida com a de suas melhores temporadas na liga de futebol americano. Aos 43 anos, Brady ainda é relevante.

No jogo deste domingo, contra o Oakland Raiders, Tom Brady teve o melhor desempenho da temporada, com quatro lançamentos para touchdown realizados. Este número também lhe garantiu um recorde: se tornou o quarterback com o maior número de touchdowns na carreira, 559 no total. Ele ultrapassou Drew Brees, outro veterano da liga, que atualmente está no New Orleans Saints e tem 558. E ainda se tornou o primeiro quarterback da história dos Buccaneers a somar 17 touchdowns nos sete jogos iniciais da temporada da franquia.

"Eu vejo o início como muito positivo, a cada jogo ele vem evoluindo. Não tem sido perfeito, sofreu algumas interceptações, mas de modo geral, o time vem melhorando e o Brady tem feito um ótimo trabalho num novo ataque, com novo treinador, novos companheiros de equipe", avalia Paulo Antunes, comentarista dos canais ESPN, que transmitem a NFL no Brasil. "É surreal o que ele faz aos 43 anos. Você olha na história da NFL os grandes quarterbacks que atuaram quando eles chegam aos 38 já estavam bem no fim da carreira e não tem sido assim com o Tom Brady, então é realmente impressionante."

Seu companheiro de transmissão, Paulo Mancha, também pontua o bom momento do veterano. "É natural que ele tenha esses altos e baixos porque ele trocou de time, é um novo playbook, novo técnico, nova nomenclatura, novos companheiros, e precisa de um período de adaptação, mesmo ele sendo o Tom Brady. Para a idade que ele tem, 43, está fazendo um trabalho excepcional, se adaptando muito bem a essa mudança. Ele impressiona não só pelo aspecto físico, mas também pelo aprendizado de um novo sistema de jogo", concorda Paulo Mancha, também da ESPN.

“O pior já passou, que foram esses seis primeiros jogos, porque é um período de adaptação. O que a gente viu no jogo contra o Green Bay Packers, por exemplo, foi um Brady mais centrado, muito mais tranquilo, jogando como antigamente e a tendência é seguir nesse caminho. Obviamente pode haver tropeço, é uma liga equilibrada, há times muito bons, então pode acontecer de o Tom Brady ter um jogo ruim aqui e acolá, pode acontecer de o Buccaneers ter mais derrotas, mas acho que seguirão melhorando", projeta Mancha.

Para Antunes e Mancha, o Buccaneers pode sonhar em chegar ao Super Bowl e vencer, não somente por conta de Brady, mas também por causa dos companheiros dele no ataque, como os wide-receivers Chris Godwin, Mike Evans, Scotty Miller e Tyler Johnson, o running-back Ronald Jones (que ainda pode melhorar, segundo Antunes) e, claro, o tight-end Rob Gronkowski, antigo companheiro de Brady no Patriots que voltou a jogar com o quarterback após um ano aposentado. A equipe ainda ganhou o reforço de Antonio Brown, wide-receiver conhecido por ser tão talentoso quanto polêmico. Ambos também avaliam positivamente o trabalho de Bruce Arians, técnico principal da equipe e que trabalha o ataque, e de Todd Bowles, coordenador da defesa.

O futuro de Brady é o ponto onde os especialistas discordam. Antunes acredita que Brady não parará nessa temporada. "Ele ainda está jogando em ótimo nível. Se protege, não leva pauladas, é muito inteligente e se livra rapidamente da bola, então o estilo de jogo dele é bom para ele sobreviver mais alguns anos. O sonho dele é jogar até os 45 anos, não duvido, do jeito que o cara é dedicado na intertemporada, consigo ver o Tom Brady jogando pelo menos mais uma temporada, essa e a próxima", afirma.

Já Mancha vê uma possibilidade de a aposentadoria ocorrer após a atual Liga. "Acho que depende do resultado desse campeonato. Se o Buccaneers ganhar o Super Bowl, ele aposenta, para terminar a carreira por cima. Se tiver uma boa temporada, mesmo que não chegue ao Super Bowl, pode ser que decida parar também. Agora se o time for mal, se terminar numa nota baixa, ele vai ficar mais, não vai se conformar em se aposentar por baixo. O que vai determinar se vai aposentar ou não é a cabeça, a Gisele (sua mulher), é o caráter de satisfação ao jogar futebol americano. A hora que ele estiver satisfeito, parar por cima, ele aposenta."

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