Washington Alves/EXEMPLUS/CPB
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Após bater todos os recordes em Lima, Brasil cogita poupar seus astros do Parapan

Chefe da delegação brasileira comentou a possibilidade de o País adotar postura semelhante a dos Estados Unidos

João Prata, enviado especial a Lima, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2019 | 04h30

O Brasil encerrou os Jogos de Lima com a melhor campanha de todos os tempos em parapan-americanos. O País bateu o recorde de ouros e de medalhas do México de 1999. A supremacia foi tanta que os dirigentes estudam repensar a participação no evento. 

No Parapan de Santiago-2023, o Brasil cogita adotar estratégia parecida com a dos Estados Unidos, que terminaram em segundo lugar no quadro de medalhas em Lima, com menos da metade de ouros do Brasil. A ideia é apostar em jovens, com a possibilidade de poupar medalhões. “Eles e o Canadá trouxeram jovens e estão investindo neles. Nós também estamos fazendo, mas temos de estar atentos”, disse Alberto Martins, chefe da delegação brasileira. 

“Poupar atletas depende do momento. O Brasil precisa começar a jogar com a regra da competição. Pessoalmente, tenho algumas restrições com relação a isso. Mas temos de pensar se não vale a pena a gente também não se mostrar muito ao mundo em determinados momentos”, prosseguiu. 

Martins lembrou que a delegação brasileira já perservou alguns atletas em Lima. "O tênis de mesa não trouxe os dois dos principais jogadores, que é o Israel e a Bruna. Não foi somente para poupar, mas também é uma condição estratégica visando Tóquio, porque o tênis de mesa é por ranking e se você, por acaso, perde de um atleta que está abaixo de você, você perde pontos do ranking", informou. 

"O Brasil é o país a ser derrotado. Assim está no goalball, assim está no futebol de 5, assim está em algumas provas da natação, do atletismo. Então nós precisamos, agora, começar a ter um pouco mais de estratégia fora das quadras, fora das piscinas, pra pensar o que é bom agora como participação nesses eventos."

Com todas as provas encerradas, a delegação brasileira terminou com tranquilidade na liderança do quadro de medalhas pela quarta edição consecutiva. Foram 124 ouros, 99 pratas e 85 bronzes, com 308 no total. O México, na primeira edição do Parapan, na Cidade do México, faturou 121 ouros, 105 pratas e 81 bronzes, com 307 no total.

Martins destacou a evolução de países como Chile, Argentina e a Colômbia. "Isso tem um pouco a contribuição do Brasil. Isso é o que nos motiva, porque nós acreditamos que para desenvolver no nosso país, nós precisamos contribuir para que a região também se desenvolva, pra que nós tenhamos aqui campeonatos fortes. Nós tenhamos aqui condições de disputa. É importante exister essa possibilidade de intercâmbio, ter atividades constantes. 

Na última edição do Parapan, no Canadá, foram 109 ouros e 257 medalhas no total. Agora o foco é manter o Brasil no top 10 na Paralimpíada de Tóquio. Alberto ainda não faz uma projeção de medalhas para a competição. Prefere aguardar os Mundiais de natação e de atletismo, em setembro e novembro. “A gente sabe que do top 10 para o top 5 é questão de uma, duas medalhas. Então a gente precisa estar nesse nível”, avaliou. No Japão, o Brasil espera contar com uma delegação de 400 pessoas, sendo 220 atletas.

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