Após bombas, países mudam plano dos Jogos

As forças de segurança grega ainda procuram possíveis testemunhas do atentado à bomba em uma delegacia de Kalithea, subúrbio de Atenas, distante dos principais locais de competição da Olimpíada. Ninguém saiu ferido da explosão das três bombas-relógio na madrugada de quarta-feira, que provocou apenas danos materiais. O maior estrago foi na já arranhada imagem da Grécia quanto à capacidade de organizar Jogos seguros.Apesar de o primeiro-ministro Costas Karamanlis afirmar tratar-se de "incidente isolado, sem ligação com os Jogos", a comunidade olímpica ficou preocupada. Austrália e Japão, por exemplo, estão revendo os planos para os Jogos. A Grécia já repetiu que não permitirá seguranças estrangeiros armados em seu território, mas providenciará escolta armada para todos os atletas - as delegações chegaram a ser divididas em grupos de risco alto, médio e baixo, o que servirá de base para o esquema de segurança.Mas o presidente do Comitê Olímpico Australiano, John Coates, já avisou que seus atletas serão acompanhados por guarda-costas e membros da polícia federal da Austrália e haverá aviões de prontidão para evacuar a delegação. Os japoneses estão organizando um manual de emergência para ajudar os atletas em caso de ataque terrorista, mas, segundo o Comitê Olímpico do país, não há planos imediatos para aumentar a segurança.Para a polícia e especialistas no combate ao terrorismo, as explosões não têm ligação com a Olimpíada, embora tenham ocorrido a cem dias de seu início. Os principais suspeitos são extremistas e anarquistas locais, que costumam desferir ataques à bomba contra vários alvos. As investigações também procuram por vínculos com atentados anteriores.Em setembro, bombas semelhantes danificaram um fórum. O atentado foi reivindicado pelo grupo Luta Revolucionária. Em fevereiro, o grupo Phevos e Athenas, nome dos mascotes olímpicos, lançou bombas incendiárias em dois caminhões do Ministério do Meio Ambiente. Em março, a polícia detonou uma bomba deixada pelo Luta Revolucionária em uma agência do Citibank. Até agora, ninguém foi preso.

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