Após doping, Brasil quer herdar 2 medalhas de Pequim-2008

País ficaria com dois bronzes nos 4x100 m, feminino e masculino

Estadão Conteúdo

08 de junho de 2016 | 08h00

A possibilidade de herdar duas medalhas de bronze dos Jogos Olímpicos de Pequim faz a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) ficar de olhos arregalados. A Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) divulgou,há duas semanas, que a reanálise de 454 exames identificou doping de 31 atletas naquela edição da Olimpíada. Agora há notícias de que, entre os envolvidos, estão componentes dos revezamentos 4x100m da Rússia, no feminino, e da Jamaica, no masculino. O Brasil ficou em quarto em ambas as provas.

Entre os homens, seriam beneficiados Bruno Lins, Sandro Viana, Vicente Lenilson e José Carlos Moreira, o Codó. Naquela competição, potências como EUA, Grã-Bretanha e Nigéria foram desclassificadas ainda nas eliminatórias. Na final, o Brasil foi superado por Jamaica (ouro com recorde mundial), Trinidad & Tobago (prata) e Japão (bronze).

De acordo com um jornal jamaicano, um dos 31 casos resultados analíticos adversos encontrados agora pela Wada é de Nesta Carter, que formou a equipe jamaicana com Michael Frater, Asafa Powell e Usain Bolt. Ainda não houve nenhum pronunciamento oficial confirmando isso. De qualquer forma, ainda haveria a possibilidade de a contraprova dar negativo - isso ocorreu com um remador e um marchador da Rússia.

No feminino, uma rede estatal de televisão da Rússia revelou que, dos 14 casos confirmados de doping de atletas russos nessa leva de reanálises, 11 são do atletismo. A lista divulgada pelo canal inclui Yuliya Chermoshanskaya, uma das componentes da equipe campeã. Naquela prova, a Rússia ganhou ouro, a Bélgica prata e a Nigéria o bronze. Jamaica e Grã-Bretanha foram desclassificadas na final e os EUA nas eliminatórias. O Brasil terminou em quarto, com uma equipe formada por Rosângela Santos, Thaissa Presti, Lucimar Moura e Rosemar Coelho Neto.

Nesse caso, o anúncio de que a contraprova de Denis Nizhegorodov, da marcha atlética, deu negativo, é um indício de que os demais casos deram positivo. Em se confirmando o nome de Chermoshanskaya, a equipe russa perderia a medalha de ouro. Por consequência, o Brasil ficaria com o bronze. Não há, ainda, sequer a notificação de resultados analíticos adversos de Carter ou Chermoshanskaya. Por consequência, não existe qualquer suspensão, ou perda de resultados. Mesmo assim, a CBAt está de olho no caso e pediu para o Comitê Olímpico do Brasil (COB) verificar a situação junto ao Comitê Olímpico Internacional. "Caso a situação se confirme, a CBAt defenderá o direito de os atletas brasileiros herdarem as medalhas olímpicas correspondente", disse o presidente da entidade, José Antonio Martins Fernandes.

Em Pequim, o atletismo brasileiro ganhou uma única medalha, de ouro, com Maurren Maggi, no salto em distância. No total, o Brasil ganhou 15 medalhas, sendo três de ouro, quatro de prata e oito de bronze. Rodrigo Pessoa perdeu o quarto lugar na prova individual de saltos no hipismo porque seu cavalo foi flagrado em exame antidoping. Em 2004, o mesmo cavaleiro herdou o ouro pelo mesmo motivo, após terminar em segundo.

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