RicardoBufolin/CBG
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Após denúncias, confederação de ginástica pode ficar sem patrocínio da Caixa

Estatal é parceira da modalidade desde 2006, mas quer esclarecimentos e não descarta romper contrato com entidade

Paulo Favero e Renan Cacioli, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2018 | 06h14

As denúncias de abuso sexual na ginástica artística brasileira podem provocar consequências na Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). A Caixa, patrocinadora da entidade, está atenta aos desdobramentos das acusações e tem cobrado explicações. A estatal prega cautela, mas não descarta romper o contrato com a entidade.

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“Esclarecemos que há cláusulas que resguardam a Caixa e o interesse público por ela tutelado enquanto entidade patrocinadora. A Caixa está avaliando todas as medidas cabíveis para a correta verificação dos fatos e consequências pertinentes”, explicou o banco ao Estadão.

A situação tem mexido com a cúpula da estatal. O contrato possui cláusulas que permitem punições por multa ou até a quebra do acordo com a CBG. Os termos são mantidos sob sigilo. A maior preocupação é que as acusações manchem um pouco a imagem da atual parceira da confederação.

A Caixa patrocina a CBG desde 2006. Na última renovação de contrato, foi assinado um acordo de R$ 20 milhões pelo período de 2017 a 2020. No momento, é a única patrocinadora da entidade. Os recursos são fundamentais para o desenvolvimento da modalidade e para a manutenção dos atletas em atividade no exterior. Procurada, a confederação preferiu não se manifestar.

Ao todo, 40 ginastas e ex-ginastas afirmaram que foram vítimas de abusos sexuais praticados por Fernando de Carvalho Lopes entre 1999 e 2016, quando ele era técnico do Mesc (Movimento de Expansão Social Católica), clube particular de São Bernardo do qual foi afastado de todas as funções na semana passada, após as denúncias virem à tona.

No COB (Comitê Olímpico do Brasil), a Comissão de Atletas encaminhou uma representação para o Conselho de Ética da entidade pedindo esclarecimentos sobre a responsabilidade da CBG e do técnico Marcos Goto, coordenador de seleções, no caso. “O Conselho de Ética tem observado essa situação com extrema cautela. Recebemos a representação da Comissão de Atletas e vamos processar o caso nos termos do nosso Regimento Interno, no mais absoluto sigilo”, explicou o advogado Alberto Murray Neto, presidente do conselho.

A confederação e Goto têm até quarta-feira para apresentarem sua defesa. Depois, os cinco integrantes do conselho (Murray, Guilherme Caputo Bastos, Ney Bello, Sami Arap e Bernardino Santi) vão analisar as justificativas e definir se será feita uma investigação. Goto foi acusado por alguns atletas de fazer piadas sobre os supostos casos de assédio, mas o profissional negou e se defendeu dizendo que nunca algum atleta o procurou para fazer denúncias.

“Os fatos eram tratados como boatos e podem ter gerado algum tipo de gracejo na época por muitos envolvidos na ginástica, inclusive entre os próprios atletas oriundos de São Bernardo do Campo, acolhidos por mim em São Caetano do Sul. Tanto parecia boataria que alguns atletas retornaram a treinar em São Bernardo com o mesmo treinador aqui dito”, afirmou o treinador.

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