Luca Bruno/AP
Luca Bruno/AP

Após duas pratas, Brasil recomeça confiante a corrida ao ouro

Lideradas por Marta e obcecadas pela medalha, seleção estreia nesta quarta contra Camarões, às 14h45

Mateus Silva Alves, Enviado Especial,

25 de julho de 2012 | 03h03

CARDIFF - Para quem ficou tão perto de um ouro nas duas últimas olimpíadas, nada mais justo que a corrida pelo sonhado primeiro lugar comece antes. A seleção brasileira feminina de futebol abre nesta quarta, 25, oficialmente as competições nos Jogos de Londres.

Dois dias antes da festa de abertura, o torneio feminino de futebol dá a sua partida, com o Brasil em campo logo no primeiro jogo. A equipe, que está no Grupo E, enfrenta Camarões às 14h45 (horário de Brasília), no Millennium Stadium, em Cardiff, capital do País de Gales.

Para a seleção brasileira, a competição reabre a ferida da perda do ouro nos instantes finais da decisão tanto em Pequim, em 2008, como em Atenas, em 2004. Confiantes, as atletas revelaram estar entusiasmadas e, na véspera da estreia, procuraram lembrar das decepções como lições doloridas de aprendizado. Mas, ao mesmo tempo, não deixaram de mostrar empolgação e esperança de que, desta vez, a chance do ouro não será desperdiçada.

As jogadoras remanescentes das duas edições anteriores dos Jogos ainda lembram da dor de ter chegado tão perto do primeiro lugar e não tê-lo alcançado. Entre elas, Marta. Principal destaque brasileiro e eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo, a atacante afirmou que o grupo está concentrado em busca do título. "A gente vai brigar por isso até o fim. Tenho certeza de que temos muito a mostrar."

O discurso de Marta se assemelha ao da zagueira e capitã da equipe, Bagé. "Nossa história está mudando. Vamos trabalhar jogo a jogo. O time está concentrado em busca do ouro", disse. Para a atacante Cristiane, a frustração das edições anteriores não abalou a motivação do grupo. "A gente está confiante, não saiu do Brasil e veio à toa para os Jogos Olímpicos. Temos a frustração de ter chegado à final duas vezes e não ter conseguido."

Lembranças. Mas, se a lembrança ainda amarga das medalhas de prata em Pequim e em Atenas está bem viva na memória do time brasileiro, a situação em que a seleção chega para a competição é bem diferente das olimpíadas anteriores.

Em 2004, o Brasil chegou à final contra os Estados Unidos como a grande zebra do torneio. Marta, então com 18 anos, era quase desconhecida no mundo do futebol e a prata, embora doída, foi bastante comemorada.

Quatro anos depois, a seleção brasileira entrou nos Jogos de Pequim como uma das grandes favoritas, tanto pelo segundo lugar obtido em Atenas como pelo vice-campeonato no Mundial de 2007, na China, quando as meninas encantaram no torneio e perderam a final para a Alemanha.

Agora, em Londres, o Brasil não entra nem como zebra, nem como grande favorito. Com um time renovado, vindo de um decepcionante Mundial (em que foi eliminado nas quartas de final) e com Marta já destronada do posto de melhor do mundo, a seleção entra em campo para tentar ser, enfim, campeã. Depois de enfrentar Camarões, encara a Nova Zelândia no sábado, também em Gales, e a Grã-Bretanha no dia 31, em Londres.

 

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