Após fazer denúncias, Inglaterra leva só 2 votos

ZURIQUE

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL / ZURIQUE, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2010 | 00h00

A Inglaterra pagou alto preço pela revelação de corrupção na Fifa feita por sua imprensa. Ontem, a candidatura inglesa para 2018 foi eliminada no primeiro turno de votações. O país tem o campeonato nacional mais forte do planeta, o mais rico e, segundo os próprios estudos da Fifa, era boa candidata para receber a Copa. Mas a mídia inglesa revelou há dois meses como integrantes da Fifa estavam dispostos a vender seus votos por alguns milhões de dólares e o país acabou sendo prejudicado.

Dois dos 24 membros da Fifa que votariam ontem foram suspensos e a imagem da entidade nunca mais será a mesma. Em um ato de solidariedade aos afastados, praticamente todo o Comitê Executivo da Fifa votou contra a Inglaterra. Dos 22 votos, apenas dois foram para os ingleses - e um deles era do próprio delegado inglês.

O resultado foi a eliminação na primeira rodada. "Nunca se sabe o que ocorre numa sala fechada", disse um inglês, que preferiu não se identificar. "Tínhamos a melhor candidatura. O que mais poderíamos oferecer?", perguntou David Beckham. Ricardo Teixeira, presidente da CBF, limitou-se a dizer que a Fifa havia optado por "novos territórios". A Rússia venceu com tranquilidade a disputa para 2018, com 13 votos na fase final, à frente de Espanha-Portugal (7) e Bélgica-Holanda (2).

Para 2022, o Catar contou com o apoio inusitado do próprio presidente da Fifa, Joseph Blatter, que concorre à reeleição em 2011 e temia que Mohamed Bin Hamam, do Catar, fosse um páreo duro. Agora, conseguiu neutralizá-lo, como fez com Ricardo Teixeira ao dar a Copa de 2014 para o Brasil. A Fifa ignorou todos os escândalos de corrupção e a troca de votos. O caso ainda ganhou novas proporções depois que foi revelado um bilhete dos espanhóis ao Catar numa reunião há um mês. Mas nada disso foi levado em consideração.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.