Amanda Perobelli/ Reuters
Amanda Perobelli/ Reuters

Após idas e vindas e treinos improvisados, CT de Atletismo reabre em Bragança Paulista

Durante o fechamento do local, atletas usaram estradas rurais e montaram estruturas provisórias em casa para manter as atividades

Raul Vitor, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2020 | 08h00

O Centro Nacional de Desenvolvimento do Atletismo (CNDA), localizado em Bragança Paulista, será reaberto nesta segunda-feira. Porém, não é possível prever até quando o local poderá receber atletas. Isso porque a cidade do interior de São Paulo pertence à Região Administrativa de Campinas e, caso a pandemia do novo coronavírus volte a recrudescer na área, o local fechará as portas novamente.

Se isso ocorrer, não será novidade. No dia 8 de julho, após 105 dias fechado, o centro voltou a receber atletas. Contudo, 11 dias depois, uma decisão judicial aplicada à Prefeitura de Bragança Paulista fez com que o local fosse novamente fechado.

Em meio a esse cenário de incertezas, os atletas têm improvisado. É o caso, por exemplo, de Darlan Romani, atual recordista sul-americano no arremesso de peso e candidato a um lugar no pódio nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Ele chegou a montar uma academia na garagem de sua casa, em Bragança Paulista. "Treinei em casa em um setor improvisado e fiz uma academia na garagem. A experiência, a motivação e a rotina foram diferentes. Você acaba dando mais atenção à família", revelou o atleta. Ele prefere aguardar a retomada das atividades no  CNDA para mensurar se houve, ou não, queda em seu rendimento.

Martinho Nobre dos Santos, diretor executivo da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), explica as idas e vindas sobre a reabertura do espaço em função da covid-19. "A decisão judicial não foi para o fechamento do nosso centro. Na verdade, foi contra a Prefeitura de Bragança Paulista, anulando seus decretos que autorizavam a reabertura de vários setores, inclusive o CNDA. Elaboramos um protocolo para a retomada do centro e enviamos para todas as autoridades de Bragança, que deram o aval. Contudo, com uma liminar concedida no Tribunal de Justiça de São Paulo, a pedido do Governo do Estado, os decretos foram suspensos e nós voltamos a fechar as portas", explica Martinho.

Como a Região Administrativa de Campinas avançou para a Fase Laranja do plano de retomada gradativa do governo estadual, o CNDA poderá voltar a funcionar. "A lei é para ser cumprida. Dentro de uma pandemia, nós temos de funcionar de acordo com o andamento da situação. Não temos plano B. Treinamento de atleta é responsabilidade do clube a que ele pertence. Nós fazemos programas específicos para auxiliar atletas de alto nível, que podem melhor representar o Brasil em eventos internacionais. Infelizmente, se houver uma determinação e a pandemia piorar, nós fecharemos o centro novamente", diz Martinho.

IMPROVISADOS

O treinador Eduardo Lopes do Carmo, presidente da Associação Desportiva Atletismo Brasil (ADAB), disse que no início da pandemia as incertezas fizeram com que seus atletas improvisassem treinos. Eles utilizaram estradas de terra, próximas a Bragança, para manter a intensidade de seus trabalhos físicos.

"Não sabíamos por quanto tempo as coisas ficariam fechadas e quanto tempo o isolamento social iria durar. Procuramos manter os trabalhos de forma regular. Não tínhamos tudo que era necessário para realizar os treinos, mas, de certa forma, conseguimos nos adaptar à situação", revelou o treinador.

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Nós, que estávamos aqui em Bragança, fomos treinar em estradas rurais, de terra, e em alguns condomínios
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Eduardo Lopes do Carmo, treinador

Com a noção de que o isolamento poderia demorar mais tempo que o imaginado, Clodoaldo Lopes, que já participou de cinco edições dos Jogos Olímpicos, duas como atleta e três como treinador, reduziu a carga dos treinos de seus competidores. Eles deixaram de realizar duas atividades diárias e passaram a praticar apenas uma. Sábados e domingos ficaram livres. Clodoaldo, no entanto, teme que essa redução cause lesões com a volta ao CNDA.

"Nosso maior medo é de que tenhamos um número muito grande de lesões na retomada dos treinos. Perdemos muitas especificidades dos trabalhos que os atletas fazem. O rendimento desses competidores também foi prejudicado. Realizamos treinos generalistas. A maioria dos atletas está entre 50 e 60% de suas formas físicas. Eles precisarão de pelo menos seis ou oito semanas para recuperar o que perderam, sem o risco das lesões", explicou.

Como funcionará a reabertura

O acesso ao CNDA será restrito. Será permitido o treinamento de atletas que residam na cidade de Bragança Paulista, que integrem o Plano de Preparação Olímpica do COB, medalhistas em Campeonatos Mundiais e Jogos Pan-Americanos em 2019, atletas da categoria Sub-20 medalhistas no Mundial de 2018 ou que possuam índices para o Mundial de 2020, os que já realizam treinamento contínuo no CNDA maiores de 18 anos e que estejam entre os 25 primeiros do ranking brasileiro no período de 1º de janeiro de 2019 a 15 de março de 2020. 

A temperatura de atletas e técnicos será aferida na entrada do centro e os mesmos terão de responder um questionário. A utilização de máscara só não é obrigatória durante a execução de exercícios.

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