Miguel Costa Jr./Divulgação - 3/7/2011
Miguel Costa Jr./Divulgação - 3/7/2011

Após incêndio, Stock muda carros

Acidente com Tuka Rocha, no Rio, acelera a introdução do uso de novos materiais na categoria nacional

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2011 | 00h00

Apesar da sensível melhora na segurança dos carros da Stock Car nos últimos anos, os ensinamentos com o acidente em Jacarepaguá, domingo, vão gerar mudanças nos carros já na próxima etapa do campeonato, sétima do calendário, dia 7 de agosto em Interlagos, a Corrida do Milhão.

Na segunda volta da prova do Rio, o piloto Tuka Rocha, da equipe Vogel, precisou pular do cockpit com o carro em movimento por causa do fogo e fumaça intensos ao seu redor. "Não temos ainda uma conclusão definitiva sobre o que gerou o incêndio, mas tiramos lições que nos permitem rever algumas soluções do nosso carro de imediato", afirmou Zequinha Giaffone, da JL, empresa responsável pelo projeto e construção do modelo da Stock Car.

Segunda-feira haverá uma reunião com a presença dos engenheiros da JL, de representantes dos pilotos, da promoção do evento, a Vicar, e das equipes.

"Iremos expor nossos planos e, juntos, decidir as medidas", disse Zequinha. "Mesmo com a proximidade da próxima etapa, é possível realizar alterações que tornem a competição ainda mais segura", comenta o construtor do carro.

Ele explica: "Usamos um material de absorção de impactos nas laterais da traseira chamado Impax, que é bastante eficiente, mas entra em combustão muito facilmente. Já existe outro mais resistente ao fogo. Podemos substituí-lo, por exemplo".

Outra medida que poderá ser adotada já em São Paulo é a substituição da mangueira de refrigeração do freio traseiro, concebida para não propagar fogo.

Óleo e combustão. As principais suspeitas no caso do acidente do Rio, segundo se comentou ainda no autódromo, são duas. A primeira é a exposição a elevadas temperaturas, mas por razões não esclarecidas, do Impax.

A outra dá conta de um vazamento de óleo dos freios traseiros que, ao entrar em contato com o disco, por vezes incandescente, entrou em combustão.

O fogo consumiu a fibra de vidro superalimentado pelo oxigênio disponível em maior concentração, provocado pelo deslocamento do veículo.

Como não foi possível, ontem, na reunião dos técnicos da JL com os da equipe Voguel chegar a uma conclusão, existe a possibilidade de o fogo ter outra origem.

O médico da Stock Car e da FIA, Dino Altmann, disse que Tuka Rocha tomou a decisão certa ao saltar do cockpit antes de o carro parar. "Tivesse inalado aqueles gases tóxicos um pouco mais, teria perdido a consciência."

Os médicos que assistem o piloto no hospital Barra D"Or, no Rio, decidiram mantê-lo internado um dia a mais. A expectativa é que nesta terça-feira receba alta.

O acidente em Jacarapaguá deverá apressar a introdução de soluções já planejadas para o futuro, visando elevar a segurança da Stock. "Vamos fazer testes com uma fibra de vidro mais resistente ao fogo. O material é importado e deveremos fazer os primeiros testes em breve. A ideia é substituir, em 2012, a atual carenagem por outra confeccionada com esse material", diz Zequinha.

Nestor Valduga, do Conselho Técnico Desportivo Nacional (CTDN), órgão da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), requereu, como de costume, uma cópia do relatório da investigação a respeito do que ocorreu em Jacarepaguá.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.