Werther Santana
Werther Santana

Após interdição dos alojamentos, atletas vivem nos dormitórios do ginásio do Ibirapuera

Estão no local cem atletas do vôlei, atletismo e judô do Centro de Excelência da Secretaria Estadual de Esportes

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2019 | 04h30

Relatório final da Secretaria Municipal de Licenciamento, produzido após as vistorias em oito clubes esportivos de São Paulo, aponta a interdição de dois alojamentos que não apresentavam condições adequadas de segurança, prevenção e combate a incêndio: o Conjunto Vaz Guimarães, o Ibirapuera, e o Centro de Treinamento da Portuguesa.

No Ibirapuera, a interdição criou um impasse. A reforma de acordo com as exigências de segurança ainda não começou, pois esbarra no processo de concessão do espaço à iniciativa privada. Aildo Rodrigues Ferreira, secretário estadual de Esportes, afirma que a readequação estará inserida no projeto de modernização do conjunto desportivo que só será iniciado após a concessão. O governador João Doria enviou o projeto de lei à Assembleia Legislativa em março e a previsão é de que o edital seja publicado em outubro.

Com isso, cerca de 100 atletas estão morando provisoriamente em dormitórios no ginásio. A intenção do governo estadual é redistribuir os atletas para outros equipamentos esportivos, como o complexo esportivo Baby Barioni, mas a data da nova mudança ainda não foi definida. O Estado visitou os alojamentos do ginásio do Ibirapuera nesta sexta-feira.

A principal preocupação do governo estadual na hora de instalar os atletas foi as questões de segurança. O alojamento possui o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e conta com profissionais fiscalizando o ginásio 24 horas por dia. Os quartos não têm aparelhos de ar-condicionado, um dos principais fatores de risco de incêndio. Foram instalados detectores de fumaça em todos os andares. Ferreira garante que os atletas foram para o local em janeiro, muito antes das vistorias municipais. Alguns dos atletas contam que a mudança foi feita às pressas.

Os quartos são espaçosos, mas não têm janelas. São quatro atletas por quarto, divididos pela modalidade que praticam – vôlei, atletismo e judô. Todos se acomodam em beliches – algumas são camas mesmo, mas outras servem como estantes ou guarda-roupas.

A mineira triplista Kathelyn Naiara colou fotos de sua história diretamente na parede. Em um dos quartos do atletismo, os meninos instalaram um varal bem no meio do ambiente. Algumas meninas estenderam suas roupas do lado de fora, nas grades de proteção ou nas pilastras. Uma das atletas afirma que foi orientada a guardar alguns dos colchões de seu quarto que estavam no chão, pois “eles teriam visita”. Os quartos estão localizados embaixo da arquibancada. Com isso, o pé-direito vai ficando cada vez mais baixo, o que limita alguns espaços.

Os atletas que moram ali integram o programa estadual Centro de Excelência, que oferece treinamento de alto rendimento em parceria entre secretaria e as federações. Um dos talentos é Lucas Marcelino dos Santos, que está classificado para o Jogos Pan-Americanos de Lima. O atleta do Esporte Clube Pinheiros, que alcançou 7,91 m no salto em distância, afirma que era possível morar nos alojamentos que foram interditados por falta de segurança. “O antigo prédio em que morávamos estava um pouco ultrapassado, mas não diria que era impossível morar ali. Logicamente as instalações em que nos encontramos atualmente são bem mais apresentáveis e estão em melhores condições”, diz.

Além de Lucas, outros atletas que estão nos alojamentos também estão classificados para o Pan: Gabriele Sousa (salto triplo), Eliane Martins (salto em distância) e Andressa Fidélis (100 m rasos)

O triplista Aylson Aguiar não se sente desconfortável, mas observa que perdeu um pouco da privacidade – antes eram dois atletas por quarto. “Não tenho o que reclamar do conforto. O nosso objetivo é outro, treinar e ter um lugar para se abrigar. Não importa se é um hotel cinco estrelas ou um quarto”, diz o alagoano de Arapiraca.

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