Frank Augstein/AP - 01/09/2013
Frank Augstein/AP - 01/09/2013

Após reclamação, CBCa garante apoio a campeão mundial da canoagem

Isaquias Queiroz, de 19 anos, havia afirmado que não recebia apoio financeiro suficiente

AE, Agência Estado

26 de setembro de 2013 | 18h32

SÃO PAULO - A Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) soltou nota oficial nesta quinta-feira para rebater o desabafo feito pelo campeão mundial Isaquias Queiroz, na madrugada de quarta, pelo Facebook. No texto assinado pelo presidente João Tomasini Schwertner, a entidade afirma que "reconhece que há muito ainda a ser aprimorado", mas garante que o jovem de 19 anos, campeão mundial da canoagem velocidade há três semanas, está sendo reconhecido.

No seu desabafo, Isaquias escreveu que "Amanhã (quinta) darei início aos meus treinamentos, um novo ciclo, com uma miserável dor no peito. Ainda não caiu a ficha de ser o atual campeão mundial e o terceiro melhor do mundo em uma prova olímpica porque não mudou nada em minha vida financeiramente falando". Ele relatou que está com uma "tristeza transfigurada, quase depressão", que sente vontade "de jogar tudo pro ar e voltar as ser o ''Sem Rim'', aquele moleque travesso e feliz".

A confederação porém, nega que tenha prometido "qualquer prêmio por medalha" a Isaquias, que venceu o Mundial no C1 500m, prova que não é olímpica, e foi bronze no C1 1000m, que estava no programa dos Jogos de Londres.

A CBCa alega que o reconhecimento pelo trabalho do jovem de 19 anos, que havia sido campeão mundial juvenil, não é dado com prêmios em dinheiro. "O praxe da entidade é o reconhecimento dos resultados de seus atletas transformado em auxílio mensal, em estrutura, em possibilidades de participação nos principais eventos internacionais da canoagem velocidade pelo mundo afora, entre outras benefícios", diz a nota.

Isaquias, visto como promessa de medalha para 2016, treina e mora em um Centro de Treinamento na Represa de Guarapiranga, em São Paulo. Ali, é treinado por Jesús Morlán, espanhol que tem cinco medalhas olímpicas e 12 mundiais no currículo e é pago pelo COB. Com eles treina David Cal, maior medalhista olímpico da história da Espanha, que deixou o país dele em busca de melhores condições de treinamento no Brasil.

Ainda segundo a CBCa, Isaquias recebe suporte financeiro. "O atleta é contemplado pelo programa Bolsa-Atleta do Governo Federal desde 2010, recebeu ajuda de custo da CBCa de abril de 2011 a junho de 2013 e no Centro de Treinamento recebe desde junho de 2013 o valor máximo de bolsa-auxílio oferecido a um atleta da equipe permanente", diz a CBCa, que reforça: "É também um dos candidatos a receber o auxílio do programa Bolsa-Pódio em virtude dos resultados conquistados no Campeonato Mundial, realizado há cerca de um mês".

Pelo Bolsa-Pódio, a tendência é Isaquias, como medalhista de um Mundial em prova olímpica, receber o teto da bolsa, de R$ 15 mil mensais, além de recursos para pagar salários de equipe multidisciplinar e R$ 20 mil para usar da forma que entender durante o ano. A inclusão dele no programa, porém, depende de processo burocrático.

Outro ponto rebatido pela confederação foi a reclamação de Isaquias que mais chocou. "Tenho um documento em mãos que quando ganhei o mundial (juvenil) em 2011 meu ex-treinador ganhou R$ 10 mil por medalha e naquela ocasião ganhei duas. Para mim o presidente me levou para comer no McDonald?s", disse o atleta, contestado pela CBCa. "O valor pago ao técnico refere-se aos resultados obtidos nos Jogos Pan-Americanos e à classificação para os Jogos Olímpicos de Londres". Isaquias não esteve nessas competições.

Outros pontos levantados pelo campeão mundial, porém, não foram justificados pela CBCa. Isaquias reclamou, entre outras coisas, ter "que assinar uns documentos da Confederação que pedem para dizer que tenho dois remos que na verdade nunca chegaram em minhas mãos" e principalmente ter recebido "uma multa de R$ 1 mil por sair em uma foto sem a blusa do patrocinador oficial da confederação". "Por que não tive direito à defesa? Por que tiram o dinheiro que com esforço ganho para enviar todo mês para minha mãezinha?", questionou o canoísta, que ficou sem resposta.

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