Fabio Motta/ Estadão
Fabio Motta/ Estadão

Centro de Hipismo de Deodoro é inaugurado após risco de contaminação

Para Eduardo Paes, prefeito do Rio, problema é 'crise superada'

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

06 Agosto 2015 | 19h38

A polêmica em torno da possível contaminação de cavalos por mormo, doença bacteriana que exige o sacrifício dos animais portadores, foi minimizada por autoridades durante a abertura do Centro de Hipismo, em Deodoro (zona norte) para o evento-teste dos Jogos Olímpicos de 2016. Enquanto o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), não quis comentar o assunto, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, ressaltou que as provas que começam na sexta-feira (7) foram autorizada pela Federação Internacional de Hipismo.

O prefeito Eduardo Paes (PMDB) disse que o atraso nas obras de Deodoro são uma "crise superada", mas as instalações ainda não estão prontas. Falta ainda terminar a construção de um centro veterinário e de um centro de tratadores, além de mais duas cocheiras e da reforma das baias onde ficam os cavalos, que devem ter porteiras recolocadas nos padrões olímpicos. 

"Há um ano e meio atrás, Deodoro era uma espécie de crise nas Olimpíadas. Talvez a grande crise que a gente tenha tido. É muito bom a gente voltar a Deodoro. Os desafios estão praticamente superados. Fazer essa entrega diante de tanta incredulidade é muito bom", disse o prefeito do Rio. Ele não mencionou o atraso das obras da Arena da Juventude, que também faz parte do Complexo de Deodoro e vai abrigar provas de basquete feminino e pentatlo. "Estamos em uma posição absolutamente segura", disse Nuzman.

MORMO

A gerente de Serviços Veterinários do Comitê Rio 2016, veterinária Juliana Freitas, afirma que não houve desistência da participação no evento-teste por parte de cavalos ou cavaleiros devido ao temor de contaminação dos animais por mormo, doença que obriga que os cavalos sejam sacrificados."Não participaram cavalos estrangeiros por causa do alto custo de transporte envolvido (que seria pago pelo próprio cavaleiro).

O mormo passou a ser uma preocupação em Deodoro depois de um animal mantido em nas instalações de hipismo do Exército ter recebido resultado positivo em um exame que verificava a doença. Esse animal e mais um cavalo foram postos em isolamento em Cananeia, São Paulo, onde são observados.

A veterinária afirmou que o comitê local foi prudente e a área de competição não oferece riscos. "A melhor maneira de evitar doença de cavalo é não ter cavalo. Instalamos o vazio sanitário. Não temos como ter doença de cavalo sem termos cavalo. Nós nos preparamos para o improvável", declarou Juliana. 

Ao todo, 20 animais, todos brasileiros, vão competir no evento-teste, que se estende até domingo, 9.

Outros 565 animais que vivem no Complexo Militar de Deodoro estão mantidos em isolamento da área de vazio sanitário, delimitada para a competição há seis meses, e foram submetidos a exame de Western Blotting para diagnosticar a doença. De acordo com o Ministério da Agricultura, os resultados, analisados em um laboratório em Recife, saem em outubro.

O cavaleiro Márcio Carvalho, medalhista de prata no Panamericano de Toronto e inscrito para o evento-teste, afirmou que os exames para detecção de mormo entre cavalos da Vila Militar já eram conhecidos entre cavaleiros e não causaram preocupação.

"Já se sabia bastante de tudo isso que vem acontecendo de mormo. Isso vem sendo controlado e cuidado há muito tempo. Eu acho que isso não influenciou na presença de atletas", disse o cavaleiro, que elogiou o controle das baias onde ficam os cavalos, local onde só entram cavaleiros, veterinários e tratadores. "Em competições de hipismo normalmente é assim. Aqui está sendo mais até".

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