Aposta de Alonso

A renovação antecipada do contrato de Fernando Alonso com a Ferrari me surpreendeu. Sabendo que ele é daquele tipo de piloto que precisa ter sempre um carro vencedor, imaginei que ele iria discutir muito mais a questão técnica antes de fechar novo contrato valendo até 2016. Mas também tem de se levar em conta que Alonso não tem portas abertas na McLaren, de onde saiu brigado no final de 2007, a Red Bull, como todo mundo sabe, é a equipe de Vettel, e nem Mercedes nem Renault, neste momento, lhe interessam. Alonso pode ser arrogante, prepotente, tudo isso e mais um pouco, mas não tem nada de trouxa.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

Ele sabe que a Ferrari, a qualquer momento, pode achar o caminho, como achou no ano passado. E se saísse no final do contrato em 2012, estaria abrindo espaço para, em algum momento, Hamilton ou até mesmo Vettel entrar na Ferrari e só sair de lá com uma coleção de títulos como fez Schumacher. Quando Michael aceitou o desafio, a Ferrari atravessava uma fase técnica difícil e fazia 20 anos que não conquistava um título mundial de pilotos.

A renovação do contrato de Alonso não foi suficiente para entusiasmar o público espanhol neste momento pouco animador da Ferrari. Os fãs de Alonso, que costumam encher o autódromo já na sexta-feira, desta vez vão esperar o sábado e o domingo. Eles sabem do desespero que deve bater nos engenheiros das equipes rivais da Red Bull ao observar nas estatísticas do GP da Espanha que nos últimos 10 anos quem largou na pole position venceu a corrida. Resta coçar a cabeça e pensar: "O que fazer para conseguir o milagre de tirar essa vantagem das mãos de Vettel? O alemão é dono das quatro poles desse ano e, não fosse a enorme zebra de Interlagos no ano passado, quando Nico Hulkenberg, da Williams, fez a melhor volta no finalzinho do treino, ele estaria agora colecionando oito poles consecutivas, desde outubro no Japão.

Se já faz 10 anos seguidos que o dono da pole position ganha a corrida, considerando-se desde a inauguração do circuito de Montmeló em 1991, portanto, há 20 anos, apenas quatro vezes o vencedor não largou na frente. E uma única vez, fora até da primeira fila (Schumacher, 3.º no grid em 96). Muito se fala dessa "coincidência". Mas não tem nada de coincidência nisso. O fato é que por ser a pista onde mais se treina na pré-temporada, as equipes já têm a receita certa para tirar o máximo de cada carro. É o que explica também o fato de muitas vezes o vencedor deste GP terminar o ano como campeão. Isso aconteceu 11 vezes em um total de 19. E em metade das oito vezes em que o piloto não se tornou campeão, acabou sendo vice. O exemplo do ano passado poderia ter enriquecido essa estatística. Quem ganhou o GP da Espanha foi Webber, que entrou na última corrida do ano em Abu Dabi como favorito ao título, mas saiu dela com o 3.º colocado no Campeonato Mundial.

A pista de Montmeló já foi dominada pela Williams até 94. Depois, pela McLaren até 2000. E pela Ferrari durante toda a época Schumacher. Aqui, não tem erro. É a pista em que a zebra nem compra ingresso. Vence quem tem o melhor carro e ponto final. Sinto pena dos engenheiros que têm a missão de encontrar uma forma de derrotar o melhor piloto dentro do melhor carro. Eles são os únicos que não têm o direito de sentir, mesmo que por poucos dias, o que é estar em Barcelona.

Aniversário. Nesta semana a coluna Grand Prix está completando 18 anos. Como me lembra o fiel leitor e colecionador Sergio Magalhães, de São Sebastião do Paraíso, de Minas Gerais, foi num dia 23 de maio de 1993, véspera de GP de Mônaco que ela começou a ser publicada aqui no Estadão. O Sergio sugere, e eu aceito, um brinde a esses 18 anos, e também ao teste de fogo pela qual vão passar as novas regras da Fórmula 1, aqui em Barcelona e domingo que vem em Mônaco.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.