Apostas ilegais põem cinco mil na cadeia

Operação da Interpol em 4 países da Ásia fecha casas clandestinas. Por ora, não há indícios de manipulação de resultados

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

Longe da África do Sul, a luta contra apostas ilegais relacionadas aos jogos da Copa do Mundo acabou colocando 5 mil pessoas em prisões de diversos países. A operação Soga, realizada durante o Mundial, foi coordenada pela Interpol em quatro países diferentes, todos na Ásia.

A Fifa declarou guerra contra as casas de apostas ilegais e contra a ameaça de que essa atividade possa influenciar resultados de partidas da Copa do Mundo. Há poucos meses, a Uefa admitiu que jogos da Liga dos Campeões foram alvo de arranjos entre jogadores, árbitros e apostadores. O caso acabou com a prisão de vários envolvidos.

Uma suspeita sobre a partida entre o Brasil e Gana na Copa de 2006, válida pelas oitavas de final da competição disputada na Alemanha, chegou a ser analisada pela Fifa. Mas nenhum crime foi detectado na vitória do Brasil por 3 a 0.

A operação da Interpol desencadeada agora envolveu China, Malásia, Cingapura e Tailândia, considerados novos centros das apostas ilegais no mundo. Só nesses quatro países, foram fechadas 800 casas de apostas em apenas um mês. Somadas, elas movimentavam cerca de US$ 155 milhões, segundo estimativas dos responsáveis pela operação.

A operação da Interpol ainda confiscou cerca de US$ 10 milhões, além de carros e imóveis. "As apostas ilegais no futebol também estão ligadas com corrupção, lavagem de dinheiro e prostituição", disse Jean Michel Louboutin, diretor executivo de serviços policiais da Interpol, em Lyon.

Avaliação. Por enquanto, a Interpol não confirma se conseguiu evitar que resultados dos jogos da Copa na África do Sul tivessem sido influenciados pela atividade ilegal dos estabelecimentos fechados. Isso será alvo de uma avaliação que a entidade fará por meio de cartões bancários, computadores, celulares e documentos confiscados nas 800 casas de apostas clandestinas fechadas na Ásia.

Essa avaliação ainda determinará se outras pessoas em outros continentes também estariam envolvidas nos acertos de resultados. Mas já se admite que a Copa do Mundo de 2010 entrará para a história como a edição que foi alvo do maior volume de apostas até hoje.

Essa foi a terceira vez que a entidade realiza uma operação contra apostas ilegais no futebol. Juntas, as operações resultaram em 7 mil pessoas presas e foram confiscados mais de US$ 26 milhões. No total, foram desmanteladas redes que movimentavam US$ 2 bilhões.

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