Imagem Reginaldo Leme
Colunista
Reginaldo Leme
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Apostou certo

Se a falta de dinheiro para montar uma equipe de engenheiros competentes foi o que mais atrapalhou a Williams nesses últimos anos, o problema acabou. Além de levar de volta a Martini, que foi parceira da Brabham, Lotus e Ferrari, a Williams fechou um contrato de longa duração com a seguradora norte-americana Genworth, presente em mais de 20 países, deve anunciar no dia 18 também o retorno da Petrobras, quando a atual executiva Claire Williams vem ao Brasil, e tem ainda outras negociações em curso. Quando a equipe começou a remontar seu staff técnico com Pat Symonds para a direção técnica, contratou um piloto experiente como Felipe Massa e buscou engenheiros que se destacaram em equipes rivais, como Shaun Whitehead e Dave Wheater, técnicos em aerodinâmica que saíram da Red Bull e Lotus, não havia ainda a certeza de novos patrocinadores. O único dinheiro garantido era o da multa paga pela PDVSA (cerca de R$ 50 milhões) pela rescisão do contrato com o piloto venezuelano Pastor Maldonado.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 02h40

Felipe Massa estava certo quando me disse ainda no fim do campeonato passado que a Williams estava disposta a apostar alto e usar toda a sua estrutura de segunda maior vencedora de títulos na F1 para voltar ao topo. Com nove títulos mundiais de construtores, atrás apenas da Ferrari (16), mas à frente da McLaren (8), a Williams passou oito anos sem vencer uma corrida desde o GP do Brasil de 2004 até a grande zebra dos últimos anos, que foi a estranha vitória de Maldonado na Espanha em 2012. O último título conquistado foi o de Jacques Villeneuve em 1997.

Desde que terminou o acordo com a BMW e, depois, com a Toyota, a equipe começou a se distanciar das outras grandes. Perdeu patrocínios e, consequentemente, viu-se tecnologicamente inferiorizada em relação às rivais tradicionais, como McLaren e Ferrari, e também diante das emergentes Mercedes, Renault-Lotus e, principalmente, Red Bull.

A temporada de 2013 foi a pior da história da Williams, que terminou o campeonato em nono lugar com cinco pontos (tinha um até Valteri Bottas chegar em 8.º na penúltima etapa em Abu Dabi). Isso é menos de 1% da pontuação da campeã Red Bull, embora as duas equipes corressem com o mesmo motor Renault.

Trabalhando para 2014, além de remontar a equipe, a Williams fechou acordo de fornecimento de motor com a Mercedes e tem um carro que já pode ser considerado como "bem nascido" pelo bom desempenho nos primeiros testes em Jerez de La Frontera. Mesmo diante dos problemas que todos tiveram com os novos carros, o FW 36 deu 175 voltas em quatro dias de testes, sendo 133 com Massa, que ainda foi o mais veloz no último dia com pista molhada.

Depois de começar a carreira na suíça Sauber e viver dez anos junto com a italianíssima Ferrari, Felipe está iniciando agora uma experiência diferente, que é trabalhar com aquela que se considera a mais inglesa entre todas as equipes inglesas da F1. O mais importante é que, graças à sua experiência, ele poderá liderar a equipe, situação bem diferente das que ele viveu com Schumacher e, depois, com Alonso. Por isso, é certo que a gente verá em 2014 um Felipe Massa muito menos tenso e mais eficiente. Ainda há muito trabalho a ser feito com o carro nas duas últimas séries de testes no Barein, a partir da próxima quarta-feira. Mas já há um novo sentimento de confiança dentro da equipe.

Di Grassi duplamente. Além de confirmado no Mundial de Endurance como piloto do carro principal para disputar mais um título mundial junto com os atuais campeões Tom Kristensen e Loic Duval, Lucas di Grassi será piloto oficial da Audi também na Fórmula-E, nova categoria FIA que terá o seu primeiro Mundial disputado este ano, inclusive com uma etapa brasileira programada para o dia 15 de novembro em um circuito de rua no Rio. A Fórmula-E é um velho sonho do presidente da FIA, Jean Todt, que agora se torna realidade. Os carros são elétricos e vêm sendo desenvolvidos há três anos, com participação direta de Lucas di Grassi.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.