Aprendizado

A partida contra a Bielorrússia mostrou a seleção brasileira ainda em busca do jogo total, de um repertório mais amplo para encarar sistemas de marcação milimetricamente organizados. Estranho seria encontrar um adversário livre, leve e solto, estacionado no campo ofensivo e a fim de enfrentar o time de Mano Menezes de peito aberto. Não é o que diz a tradição.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2012 | 03h07

A vitória no torneio olímpico faz parte do roteiro obrigatório para o amadurecimento da equipe a caminho da Copa do Mundo. O resultado foi ótimo, mas não esconde as falhas.

Trata-se de um estágio fundamental na formação do time para 2014, com medalha ou sem. O problema é que se o ouro olímpico não vier, a situação de Mano tende a se complicar. Um novo treinador não é garantia de sucesso, apenas uma esperança.

A maior dificuldade enfrentada pelos jogadores brasileiros atualmente é entender como enfrentar as variações de um jogo inserido num espaço cada vez menor. É comum ouvir dissertações a respeito da diminuição do campo baseadas numa fita métrica dissonante da realidade.

O tal espaço menor é resultado de preparo físico apurado, consciência tática e muita inteligência coletiva. O estilo brasileiro de jogar foi historicamente construído sobre pilares individuais. É natural que o jogo associativo ainda seja capaz de nos criar dificuldades.

A missão do treinador é juntar as duas pontas, é colocar em campo habilidade a serviço do jogo organizado e estrategicamente pensado para resolver situações comuns. Certamente você encontrará na memória alguma imagem para ilustrar o que vem a seguir.

O futebol de Neymar flui naturalmente quando o atacante encontra espaço para acelerar em direção ao gol e aplicar sua imensa habilidade na dissolução das defesas. Entretanto, quando o adversário consegue pressioná-lo, geralmente entre linhas de marcação compactada, a velocidade e a capacidade de progressão diminuem.

Neymar está manjado, não é mais novidade. Os adversários já sabem como tirá-lo da zona de conforto. Agora espera-se uma resposta, que ele consiga adaptar seu talento ao espaço reduzido.

No gol de Oscar, o último dos 3 a 1, o astro pop do futebol brasileiro pegou a defesa aberta para o contra-ataque. Ali se viu o genial jogador dos gramados nacionais. Mas para vencer a Copa, o Brasil precisa de um novo Neymar, e de um time que saiba ocupar o centro do campo, jogar com o passe diante da meia lua da grande área.

Os laterais ficaram demasiadamente espetados no campo ofensivo. Taticamente, o posicionamento é fonte de soluções e de problemas. Principalmente quando Rafael e Marcelo sobem simultaneamente, expondo volantes e zagueiros aos contra-ataques. O time permanece o tempo todo com apoio pelos lados, mas vazio e desorganizado defensivamente.

O torneio olímpico é importante demais para uma seleção jovem, sem identidade definida e sem Eliminatórias para disputar.

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