''Aqui não tem espaço para vaidade''

O recado foi mandado por Ricardo Gomes, o novo treinador do São Paulo, em seu primeiro dia de trabalho

Giuliander Carpes, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2009 | 00h00

Ricardo Gomes, enfim, se apresentou aos jogadores e à torcida do São Paulo. Mostrou personalidade e perfil disciplinador. Promete colocar um ponto final na briga de vaidades que tomou conta do tricolor, principalmente depois que Borges, Washington, Dagoberto e André Lima, os quatro atacantes do elenco, manifestaram indignação publicamente quando o comando era de Muricy Ramalho."Briga de vaidade? Não há a mínima possibilidade", afirma o comandante, que mandou recado direto para os insatisfeitos: "O São Paulo é um time tão grande que fica difícil um jogador ficar à frente do clube. Não tem espaço para este tipo de coisa. O comportamento aqui tem de ser exemplar. Jogador ganha posição dentro do campo e não dando entrevista."No Fluminense e no Flamengo, em 2004, o técnico passou por situações semelhantes. Que deixaram um trauma. No time em que fez carreira na década de 80, tentou apaziguar os ânimos de Edmundo e Romário, que nunca foram de medir palavras quando brigavam. Na equipe da Gávea, a bronca foi de Dimba. A crise engoliu o chefe."Acho que perdi duas vezes o meu emprego por causa disso. A minha experiência foi essa", ressalta Ricardo Gomes. A direção são-paulina espera que, agora, o desfecho possa ser diferente. Se não, cabeças vão rolar. "Vai depender do treinador. Mas uma mudança como essa já vai dar uma apaziguada nos ânimos", confia o vice-presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.O dirigente afirmou depois da derrota para o Corinthians (3 a 1) que o técnico era uma incógnita. "Fui mal compreendido. Temos consenso sobre o Ricardo Gomes. Incógnita é o seu resultado no São Paulo", explica Leco, que em 2003 já havia tentado contratar o treinador. "Passamos horas e horas no telefone para tentarmos um acordo. Não foi possível porque não consegui liberação da CBF (comandava a seleção pré-olímpica)", lembra o recém-chegado.No primeiro treino, Ricardo Gomes orientou um trabalho de ataque contra defesa. "Pelos jogos que acompanhei, a equipe tem posse de bola, mas não leva perigo ao gol adversário. Já comecei um treinamento para tentar traduzir o domínio em gols", contou. A maior meta do novo treinador é descobrir porque o time não joga bem. "Não deu liga. Por quê? Não tenho uma resposta. Vou tentar descobrir no dia a dia, tentar um contato com o Muricy. Se achar que os jogadores não são complementares, pedirei reforços."

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