Árabes pagam menos por jogos do Brasil

Quatro meses antes de deixar o cargo, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, fechou um acordo para dar todos os direitos sobre a organização de jogos da seleção brasileira por toda uma década por um preço inferior ao contrato que vigorava e reduziu o preço da seleção em 15%. A denúncia foi feita por Philipo Huber, dono da Kentaro, empresa que desde 2006 organizava os jogos da seleção pela Europa e que acabou deixando o acordo.

JAMIL CHADE / LONDRES , O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 03h07

Há cerca de um mês, a CBF anunciou que havia trocado de parceiro. A Kentaro foi substituída pela Pitch, empresa com sede em Londres e que implementaria um acordo de direitos que a CBF renovou com o grupo saudita International Sports Events (ISE). Informações anunciadas na ocasião do acordo indicavam que a CBF teria conseguido um acordo de 20% em relação ao contrato que vigorava.

Huber esclarece e alerta que isso não é verdade. "Fui eu que disse que não iria participar disso. Não aceito dar dinheiro aqui e ali", declarou ao Estado, ontem, em Londres. Em 2006, sua empresa fechou um contrato com a CBF pelo qual pagaria para a entidade US$ 1,15 milhão por amistoso. "Agora, fecharam um contrato por US$ 1 milhão", alertou. "Não faz sentido. Alguém precisaria investigar isso", insistiu. Sua avaliação é de que a CBF poderia ter "facilmente" pedido US$ 2 milhões.

Huber apontou que a desconfiança é de que, na prática, a seleção esteja hoje nas mãos de empresários do Catar ligados à rede Al Jazeera.

"O pessoal do Catar quer expandir sua influência e isso tem uma relação direta com votos na Fifa", disse. Em novembro de 2011, o contrato entre a ISE e a CBF foi fechado no Catar.

Sobre a polêmica, o vice-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, disse que a "CBF tem um contrato em vigor assinado na gestão anterior e está sempre aberta a ouvir e analisar novas propostas que o mercado do futebol venha a oferecer."

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