Arena e Engenhão: quem dá mais?

Prefeitura do Rio abre a licitação para dois dos locais de competição do Pan-Americano; já há vários interessados

Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2031 | 00h00

Dois dos principais palcos dos Jogos Pan-Americanos serão oferecidos à iniciativa privada a partir de hoje, quando a prefeitura do Rio abre a licitação para a concessão, por 40 anos, da Arena Multiuso, com lance mínimo de R$ 129,5 milhões, que pode ser dividido em 40 parcelas anuais de R$ 8,6 milhões . Amanhã será a vez do Estádio Olímpico Municipal João Havelange (Engenhão), cujo valor mínimo de aluguel mensal é de R$ 1.680,00 mais os custos de manutenção. Em ambos os casos, ganha a maior oferta.Pelo menos quatro grandes grupos especializados em entretenimento estão no páreo pela Arena, onde se realizaram as competições de ginástica e basquete no Pan. Os franceses da GL Events, que já administra o Riocentro, a CIE Brasil, a Camargo Corrêa e a Accioly Empreendimentos e Entretenimento. Bancos e outras construtoras também concorrem por fora, segundo a Secretaria Municipal de Fazenda, autora dos dois editais de licitação.''''Temos interesse, sim, na Arena. Estamos estudando o valor, que achamos um pouco elevado'''', afirma o presidente da GL Events, Arthur Repsold. Segundo ele, uma alternativa para o valor de concessão da Arena, que custaria R$ 8,6 milhões por ano se dividido em 40 parcelas, seria a previsão do número de eventos, como shows, e a receita que eles gerariam com a arrecadação de tributos. A Arena tem capacidade para 15 mil pessoas.DE OLHO NO ESTÁDIOTrês dos principais clubes de futebol do Rio estão de olho no Engenhão, conta o secretário municipal de Fazenda, Francisco Almeida e Silva. Botafogo, Flamengo e Fluminense retiraram o edital de licitação, sendo que o clube alvinegro vem se preparando há tempos para essa concorrência em sociedade com a empresa americana Anschutz Entertainment Group (AEG), conta o presidente do clube, Bebeto de Freitas. ''''Estamos há dois anos trabalhando nisso, de olho no Engenhão'''', afirma o presidente do Botafogo.A AEG é dona do Los Angeles Lakers, um dos mais tradicionais clube de basquete da NBA, e do Galaxy, time de futebol para o qual acabou de se transferir o craque inglês David Beckham, numa nova tentativa de popularizar o futebol nos Estados Unidos.Tanto o Engenhão quanto a Arena terão seus custos de manutenção custeados pelas futuras concessionárias, explica o secretário Silva. Ele estima que tais custos fixos, sem considerar dias de eventos ou jogos, é de até R$ 250 mil mensais para o Engenhão e de até R$ 200 mil por mês para a Arena.No caso do Estádio João Havelange, cada clube terá de 30 a 35 jogos por ano com mando de campo. E quem ganhar a concessão terá possibilidade de alugá-lo para outros clubes. O secretário Francisco Almeida e Silva chegou a defender a união de esforços dos três times para a administração compartilhada do empreendimento, o que garantiria 90 dias de utilização do estádio.No entanto, ele mesmo acredita que essa hipótese é ''''improvável'''', em função da rivalidade dos clubes. A exigência do edital é de que 60% dos eventos no Engenhão sejam esportivos, havendo portanto possibilidade do aluguel do local para shows ou celebrações religiosas.MARACANÃA Secretaria Estadual de Esportes e Turismo, em parceria com a consultoria Booz Allen Hamilton, estuda um novo modelo de gestão para outro importante palco do Pan, o Complexo do Maracanã, diz o secretário Eduardo Paes. Segundo ele, o estádio - local das cerimônias de abertura e encerramento - não deverá será privatizado. A idéia é formar uma espécie de condomínio, dividido em vários empreendimentos que podem ser explorados pela iniciativa privada. O Maracanãzinho será privatizado.''''Começamos a trabalhar a partir do diagnóstico de que o Maracanã era mal gerido, um problema enorme. Assumimos o estádio com déficit de R$ 10 milhões só no custeio'''', afirma Paes.Cinemas, shopping center, restaurantes e até mesmo a construção de um hotel dentro do complexo são algumas das idéias em estudo pela Booz Allen, conta o secretário. Segundo ele, o novo modelo de gestão do Maracanã deve ser divulgado até o final deste ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.