Arena Pantanal perde construtora e obra pode atrasar

Quase falida, empresa deixa consórcio. Secopa mantém para outubro a entrega do estádio, mas admite rever cronograma

CUIABÁ, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2013 | 02h04

A construtora Mendes Júnior passará a tocar sozinha as obras da Arena Pantanal, em Cuiabá, depois da saída da Santa Bárbara Engenharia do consórcio. O anúncio foi feito ontem pelo secretário da Secopa de Mato Grosso, Maurício Guimarães. Ele afirmou que a expectativa é que a mudança não provoque atrasos na obra, mas admitiu a possibilidade de o cronograma não ser cumprido.

A conclusão da Arena Pantanal, que teve as obras iniciadas em maio de 2010, está prevista para outubro. Mas a Fifa já trabalha com a hipótese de o estádio ficar pronto apenas em dezembro e teme até que fique para o ano que vem.

Guimarães garante que isso não ocorrerá. "Em qualquer obra há um risco iminente de atrasar. Continuamos trabalhando com o prazo em contrato, que é outubro deste ano. Caso necessário, nós poderemos realizar algum ajuste, mas eles (a Mendes Júnior) garantiram que irão entregar no prazo. Têm condições para isso."

A Santa Bárbara deixou o consórcio por causa de sua grave crise financeira. Tem dívida de R$ 543 milhões e, por isso, grande parte do repasse feito para o consórcio pelo governo de Mato Grosso acabava indo para o pagamento a credores da empresa. Outros ficaram sem receber.

Foi o caso da empresa Loyman Montagem Metálicas, que na semana passada retirou do canteiro de obras os seis guindastes de sua propriedade que lá estavam. Alegou não estar recebendo há mais de seis meses e que tinha um prejuízo mensal de R$ 1,2 milhão.

Guimarães, porém, insistiu que os problemas da empresa não tiveram reflexos na obra, cujo índice de conclusão é de 62%. No último ano, porém, o ritmo dos trabalhos foi bastante lento. A Secopa local sempre alegou, quando questionada, que a "desaceleração'' foi motivada pelo fato de o estádio não estar incluído na Copa das Confederações deste ano.

Atualmente, 850 operários trabalham no canteiro de obras. Todos deverão ser mantidos.

A Arena Pantanal tem custo estabelecido na Matriz de Responsabilidades em R$ 518,9 milhões. Mas ainda não estão licitados os assentos, o placar e a tecnologia de informação. Isso deverá ocorrer no próximo mês.

O estádio terá capacidade para 44.336 torcedores e, no Mundial, vai receber três partidas da primeira fase. Depois, ele deverá ser utilizado para eventos como shows, convenções e, principalmente, feiras agropecuárias, uma vez que o futebol no Estado não atrai bom público. Pelo menos esses são os planos dos responsáveis pelo governo mato-grossense.

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