Argentino corre para ver os atletas

Rubén Magnano, novo técnico da seleção, vai à Europa para conversar com os jogadores que podem ir ao Mundial

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

O técnico Rubén Magnano deixou Córdoba de mudança para o Brasil há dez dias. E o argentino de 55 anos já enfrenta um ritmo frenético de trabalho, a ponto de ter deixado as aulas de português, uma de suas prioridades, em segundo plano.

"Espero iniciar as aulas assim que voltar da Europa, quando estiver mais tranquilo", disse ao Estado o treinador da seleção masculina de basquete, referindo-se a sua próxima etapa de trabalho: uma viagem pelo Velho Continente para se encontrar com brasileiros que atuam por lá. "Posso deixar as aulas também para outubro. Quando espero estar ainda mais tranquilo. E como espero, eh!", brincou, referindo-se ao mês posterior ao Mundial da Turquia, o principal desafio da temporada.

A agenda de Magnano está lotada. O argentino passou esta semana acompanhando a equipe sub-18, agora treinada por Walter Roese, em São Bernardo do Campo. Concentrou-se com o time, que disputará os Jogos Sul-Americanos e a Copa América. Lá, já mostrou um pouco do espírito disciplinador: repórteres e fotógrafos só veem os primeiros 15 minutos de treino.

Na quinta-feira à noite, deixou o ABC para voltar à capital - ontem, acompanhou o clássico entre Paulistano/Amil x Pinheiros/Sky, pelo NBB. Deve, também, embarcar fundo no projeto da Escola de Treinadores. "Temos muito o que fazer na base. Esse é o principal trabalho e devemos começá-lo com os técnicos", comentou.

No dia 3 de abril, quando for para a Europa, deve passar por Itália e Espanha. Pretende encontrar oito ou nove atletas. "Vou conversar com todos os que eu conseguir. Não é fácil coordenar uma viagem como essa." Assim como fez com os que atuam na NBA (Anderson Varejão, Leandrinho e Nenê), pretende saber quem está comprometido com a seleção.

Nos Estados Unidos, por exemplo, fez um pedido à delegação da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) que o acompanhou a Cleveland, Phoenix e Denver: 30 minutos, sozinho, com cada jogador, para um papo franco. "Não falei de técnica, não falei de tática, não falei do jogo. Falei da importância que eles têm, como espelho, para toda a nova estrutura do basquete do Brasil. Falei sobre a atitude deles e de compromisso." Magnano deve fazer a primeira convocação no fim de maio. O Mundial vai de 28 de agosto a 12 de setembro.

Também no giro americano, acompanhou o All-Star Game realizado diante de mais de 100 mil pessoas no Cowboys Stadium, em Dallas. Algo que já deu ao argentino uma ideia: quem sabe, algo parecido no Maracanã? "Já cheguei a falar sobre isso: fazer uma quadra no meio do Maracanã e jogar. Nunca diga nunca!"

Português. Magnano está empenhado em se adaptar o mais rápido possível. "Fale português, mas devagar." Às vezes, quer usar uma palavra no idioma, mas não consegue - e não titubeia em pedir ajuda. "O que eu posso usar no lugar de todavia?" Quando recebe a resposta, fica satisfeito em poder completar a frase da maneira como deseja. "É, isso, a palavra é ainda! Ainda não tive tempo de conhecer muito a cidade. Mas é claro que é muito diferente de Córdoba."

Magnano está instalado com a mulher em um hotel na região dos Jardins. Espera fazer a mudança, logo, para um apartamento. Seus dois filhos - um rapaz e uma moça, que estão na universidade - ficaram na Argentina. "Já fui a alguns restaurantes perto do hotel onde moro. Mas só agora é que, verdadeiramente, estarei em São Paulo."

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