Argentinos põem fim ao sonho azul

Cruzeiro sai na frente, se aproxima do tri, mas cede a virada no Mineirão lotado e vê a festa do Estudiantes

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

16 de julho de 2009 | 00h00

O Cruzeiro perdeu sua invencibilidade em casa na Taça Libertadores da maneira mais cruel: justamente na partida final do campeonato. A equipe brasileira sentiu a força do Estudiantes, equipe experiente, copeira. Não conseguiu resistir à pressão e sucumbiu no Mineirão lotado. Perdeu a oportunidade do tricampeonato continental - chance de igualar-se ao São Paulo, único time brasileiro a alcançar tal feito - ao perder, de virada, por 2 a 1. Veja imagens da final no Mineirão"Não tenho palavras. Só Jesus para nos dar consolo", lamentou o goleiro Fábio, herói da partida de ida, em La Plata, quando o Cruzeiro garantiu o empate por 0 a 0. Henrique, o autor do gol cruzeirense, não conseguiu falar, calado pelas lágrimas. Do lado campeão, era o veterano Verón quem chorava. Capitão do Estudiantes, time em que foi forjado, o volante de 34 anos tornou-se campeão como o pai, Juan, presente no tricampeonato do time argentino entre 1968 e 1970. A partida, de mexer com os brios, fez jus ao confronto das equipes que, juntas, já tinham conquistado a América cinco vezes. Cruzeiro e Estudiantes fizeram um primeiro tempo truncado e violento, com muita marcação e poucas chances de gol. Mas uma etapa final emocionante, com resultado imprevisível até o último minuto.De início, o juiz chileno Carlos Chandía teve dificuldade para controlar as manifestações violentas. O time da casa, nervoso, abusou das faltas. Verón e Ramires, em duelo particular, confrontavam-se. Aos 36 minutos, um início de confusão, após falta de Leonardo Silva e Ramires em Fernández. Kléber e o capitão do Estudiantes foram punidos com o cartão amarelo.Com tanta disputa, a parte técnica ficou de lado. O Estudiantes começou bem cauteloso, recuado. O Cruzeiro, inseguro, não aproveitava os espaços. "Não conseguimos colocar a bola no chão", reclamou Kléber. Experientes e liderados por Verón, os argentinos resolveram se arriscar - Boselli teve duas chances claras. Como o Estudiantes dominava, o técnico Adilson Batista pediu calma. "Um jogo como esse gera ansiedade, é normal. Mas temos de rodar a bola, dar velocidade, penetrar mais rápido." A equipe seguiu as determinações do treinador. Com toques rápidos, criou a chance que virou gol. Henrique arriscou contra Andújar - o desvio de Desábato foi fundamental para tirar o goleiro da jogada, aos 6 minutos.Mas a celebração durou pouco. Verón lançou Cellay que encontrou Fernández, sozinho, na área e o empate veio 6 minutos depois. Abalado, o Cruzeiro tentou retomar o domínio da partida. Mas o maestro Verón, outra vez decisivo, cobrou escanteio perfeito para Boselli. Aos 27 minutos, o atacante argentino fez história e virou a partida. O Cruzeiro foi para cima, quase empatou com Thiago Ribeiro, que acertou a trave aos 41. Lance insuficiente, porém, para acabar com o silêncio de 60 mil torcedores que lotaram o Mineirão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.