Arquivo pessoal

Atletas exibem álbum de fotos de suas últimas viagens à China

Heleni Felippe e Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2008 | 00h00

As diferenças culturais entre ocidente e oriente, a beleza e a funcionalidade das instalações esportivas e o caos da cidade (poluição, trânsito, etc.) são impressões gravadas nos arquivos pessoais de integrantes da delegação brasileira que já foram à China na preparação para a Olimpíada. São os casos da trupe da natação, dos saltos ornamentais e do tae kwon do, que estiveram em Pequim neste início de ano. O parque aquático, o Cubo D?Água, é uma construção bonita. "Até no designer das instalações a Olimpíada está virando show. A piscina está perfeita", avalia a nadadora Flávia Delaroli, dos 50 m livre. Nicholas dos Santos, que também nada os 50 m livre, confirma que o local impressiona. "Até o chão é aquecido." Mas tem defeito: os banheiros femininos possuem toaletes de cócoras, em vez de vasos sanitários. A queixa chegou aos organizadores, que prometeram reformas.O jeito, para Flávia, é estudar e entender os costumes chineses. "A cidade é exótica, uma virada de 180 graus em termos culturais." Recomenda uma visita à Muralha e à Cidade Proibida. Mas estranhou a forma como a comida, gordurosa e à base de muita fritura, foi servida. "O frango veio inteiro no prato, com cabeça e tudo", explica Flávia. "Servem o bicho inteiro para o cliente ver que não foi enganado", completa o técnico Alberto Silva, da natação. Estranhas são as iguarias exóticas que Flávia fotografou, como espetinhos de escorpião, cavalo-marinho, bicho-da-seda e polvo.Da cidade, ficam impressões de que o trânsito é confuso. "Mas a Vila Olímpica fica a 10 minutos a pé do Cubo D?Água", observa Albertinho. "Parece um bando de adolescentes dirigindo. Entram e pronto, o outro que pare. É um pouco assustador, mas, lá do jeito deles, se viram", compara Flávia. "O pessoal dirige mal demais. Parece bate-bate (de parque). Muitos carros têm batidinhas", diz a saltadora Juliana Veloso.A comunicação é difícil. "O povo comprou a idéia dos Jogos, mas é difícil se comunicar. A cada pergunta juntam dez pessoas e começam a discutir o que fazer", observa Albertinho. Mesmo sem noção da língua, notou a campanha que ensina a não cuspir na rua. "É cultural.??A poluição do ar é evidente. "Da janela do hotel se avista as enormes chaminés das usinas termoelétricas", relata Albertinho. "Vão parar indústrias e fazer rodízio de carros", crê Nicholas. "No Cubo, o ar é purificado e tem umidificador com cheirinho de baunilha", conta Flávia. Juliana Veloso define: "Fica uma névoa em cima da cidade". Mesmo para os que competem em espaços fechados, o ar é ruim. "Se abrir a janela do hotel e respirar fundo, o nariz arde", diz Márcio Wenceslau, do tae kwon do.César Castro, dos saltos, se impressionou com o gigantismo populacional. "As ruas sempre estão cheias, a qualquer hora." Juliana brinca: "Se uma pessoa for abduzida por um alienígena em Pequim ninguém percebe."A supervisora dos saltos ornamentais Alice Kohler, destaca a simplicidade dos chineses. "Podem viver com duas mudas de roupa e um colchão onde trabalham."

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