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Arrancada heroica

Foi a primeira vitória do Palmeiras sobre um adversário com orçamento e capacidade para disputar a Libertadores. O reencontro emblemático com Felipão pode ser a senha da confiança perdida na série de escalações desprovidas de talento, mutiladas por contusões.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2014 | 02h02

Com 12 pontos ganhos dos últimos 15 disputados, a equipe tem muito do que se orgulhar. Com 80% de aproveitamento nessa arrancada heroica pela permanência na elite, desde sábado a esperança é um fato.

A diferença está na crença do grupo em suas maiores referências técnicas, Valdivia e Fernando Prass. O chileno não é um arquétipo de comportamento a serviço do coletivo. Não foi espetacular na vitória contra o Grêmio, mas é o exemplo do jogador que não se apequena diante da crise.

Nos piores momentos ele cresce, permanece criativo, estimulado pelo caos, pautado pela necessidade. Na outra ponta do processo antiqueda, o goleiro conseguiu estancar a torneira de desatinos que jorrava na área alviverde.

Fazia um tempinho que o time não enfrentava um grande adversário como encarou o Grêmio de Scolari. Agressivo, perigoso, investiu no jogo coletivo, mesmo prejudicado e beneficiado pela arbitragem. Sem diminuir o mérito de Dorival Junior, parecia o Palmeiras de Felipão contra o Grêmio de Felipão, porque foi preciso acreditar e trabalhar pela virada no placar mesmo quando parecia improvável.

É cedo para garantir que o movimento de queda tenha sido definitivamente estancado. A esperança é enorme, pois finalmente o grupo tem algo em que acredita, um modelo de atuação e de luta que ele próprio encontrou quando aparentava não haver mais saída para tantos problemas.

Mas que fique esperto, pois este campeonato desmente tendências com a mesma violência com que a CBF rouba jogadores dos clubes para abastecer seu negócio, a seleção.

E por falar nela, alcançou um ótimo resultado contra a Argentina, apesar da postura pequena e assustada em alguns momentos do jogo.

Superou o início ruim e o temor de mais uma tragédia, apesar de Dunga ainda não ter sido capaz de se livrar do comportamento varzeano à beira do gramado. O perigo é óbvio, a transferência do desequilíbrio de fora para dentro do campo.

O treinador brasileiro teve o mérito de agrupar a equipe, de subtrair espaços dos argentinos e buscar o contra-ataque, até os jogadores conseguirem recuperar a segurança para enfrentar o rival de igual para igual.

Esse foi o ponto positivo do confronto contra o time de Messi, Di María e Agüero, convictos no início do clássico de que atropelariam o Brasil, naturalmente inflados pelos 4 a 2 que impuseram aos alemães no mês passado.

O início de trabalho traz bons resultados, mas não basta, diz pouco sobre o futuro. A seleção necessitava de um período de reflexão, obrigatório depois da goleada alemã na Copa do Mundial.

Era o momento perfeito para produzir respostas. Qual o tipo de futebol queremos e podemos jogar?

Provavelmente filosofia em demasia para os administradores da seleção. Um País com tanta tradição e títulos merecia mais. Merecia uma visão positiva, radicalmente moderna, uma análise sobre os motivos que nos conduziram para o buraco. Isso, entretanto, levaria a CBF a redefinir seu papel.

De volta ao Campeonato Brasileiro, dificilmente a classificação para a Libertadores e a definição dos rebaixados acontecerá antes da última rodada. E deverão ocorrer por pequena diferença de pontos ou até mesmo pelos critérios de desempate.

Nesse momento, clubes e torcedores terão a noção exata dos danos causados pelas datas Fifa não respeitadas pela CBF. Vítimas, São Paulo, Cruzeiro e Corinthians devem ter saído muito felizes da rodada.

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