Arrastão faz polícia reforçar segurança fora do autódromo

Região será monitorada por 1.700 agentes. Assaltante foi preso ontem

Martín Fernandez e Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2007 | 00h00

O pequeno arrastão promovido por menores de idade nas imediações do Autódromo de Interlagos, na sexta-feira à noite, levou a polícia a reforçar a segurança na região. Segundo o coronel Eduardo Felix, comandante da operação especial planejada para o GP do Brasil, 1.360 policiais militares trabalhavam nas imediações do local, ontem. Na sexta-feira, eram 1.040. Hoje, serão 1.700. Na Avenida Interlagos, onde três pessoas foram assaltadas em seus carros na sexta-feira, era visível o aumento do policiamento ontem. "Temos um policial a cada 50 metros", disse o coronel Felix. "É praticamente impossível que aconteça algo sem que um deles veja."O reforço deu resultado. Ontem pela manhã, um dos homens que assaltaram as pessoas em um Honda Fit, na sexta, foi preso. "Ele estava nas imediações do autódromo", contou o coronel. "E confessou."O menor M.H.F.B., de 14 anos, que também aparece no flagrante feito pelo fotógrafo Rickey Rodgers, da agência Reuters, foi detido pelos policiais. Estava nas imediações do autódromo. Ele já havia passado pela Fundação Casa, para onde deve voltar, por furto. A polícia foi até a casa do menor, na Favela da Paz, e lá encontrou o tio dele, Edson da Silva Alves, de 35 anos, que estava em liberdade condicional - condenado por assassinato -, mas era procurado por furto. Edson foi preso.Ontem pela manhã, o movimento nas imediações de Interlagos era tranqüilo. As arquibancadas, que receberam apenas 11 mil pessoas na sexta-feira, estavam praticamente lotadas. A expectativa total de público nos três dias é de 120 mil pessoas. Cambistas e flanelinhas, que atuavam com desenvoltura nos dias anteriores, ontem tiveram o obstáculo da polícia. Só pela manhã, 15 guardadores de carro e 2 cambistas foram detidos. E liberados em seguida.RESSACANo paddock, o sábado pela manhã foi de ressaca velada. Na sexta-feira à tarde, após a segunda sessão de treinos livres, a maior preocupação dos funcionários das equipes era agendar o programa da noite.O Estado presenciou um "agente" mostrando um book de modelos a um dos pilotos, que o examinava cuidadosa e discretamente. Cabelos, tons de pele e poses diferentes. Na presença da reportagem, fecharam o book, fizeram cara feia e viraram de costas. Sobrou também para Fabíola Assunção, de 24 anos. Ela trabalha como segurança no paddock. Passa as noites com os braços cruzados, cuidando para que ninguém entre nos boxes das equipes ou mexa nas pilhas de pneus que estão guardadas por ali.Nem a atitude séria impede que Fabíola seja alvo dos mecânicos e demais funcionários dos times. "Quase nenhum fala português, então eles enrolam, falam meio espanhol, meio inglês, fazem gestos, mas dá para entender. Convidam para jantar, para sair, perguntam onde tem discoteca, sambódromo", conta Fabíola.Casada, mãe de um casal de filhos pequenos, Fabíola dispensa os gringos. "Acho engraçado." São mais de cem seguranças particulares trabalhando no GP do Brasil, a maioria mulheres. Por um turno de 12 horas, o cachê é de R$ 35.

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