Artilharia brasileira em baixa

Pela primeira vez em 10 anos, nenhum atacante é indicado para a eleição, que tem os campeões espanhóis como favoritos

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2010 | 00h00

Depois de mais de uma década no topo do mundo, os artilheiros brasileiros estão em baixa no futebol internacional. Tradicionalmente conhecido por seu estilo ofensivo, o Brasil surpreende neste ano e só consegue ter destaque na zaga. A Fifa divulgou ontem os finalistas para a conquista do troféu de melhor jogador do mundo em 2010. Mas dos 23 atletas citados, apenas três são brasileiros: dois laterais e um goleiro. Esta é a primeira vez em mais de dez anos que nenhum atacante brasileiro é relacionado como melhor do mundo.

O goleiro Julio Cesar, da Internazionale, de Milão, o lateral-direito Maicon, seu companheiro na equipe italiana, e Daniel Alves, também lateral-direito, do Barcelona, estão na relação dos candidatos para o título de melhor do ano, prêmio Bola de Ouro que pela primeira vez será dado de forma unificada pela revista France Football e pela Fifa no dia 10 de janeiro de 2011. Em dificuldades financeiras, o grupo francês vendeu o direito de usar o nome do troféu para a entidade máxima do futebol.

Mas o primeiro troféu unificado promete ficar mesmo para outro país. Nos últimos anos, a falta de atacantes brasileiros na lista dos melhores já começava a ficar evidente. Em 2009, Kaká foi o único a aparecer. Neste ano, ficou de fora. A relação é bem diferente daquelas que a Fifa divulgava há alguns anos, quando os brasileiros dominavam a classificação e quase todos eram atacantes, como Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Adriano, entre outros.

Neste ano, o grande favorito são os atletas espanhóis, exatamente pela conquista da Copa do Mundo, na África do Sul, e de um primeiro semestre exemplar do time do Barcelona. Os meias Xavi e Andres Iniesta estão entre os principais candidatos.

Tradicionalmente, o melhor jogador do mundo em um ano de Copa vem do time campeão. Neste ano, isso parece se repetir. Dos 23 finalistas, a Espanha tem sete. Em seguida, o país com mais indicados é a Alemanha, com cinco atletas. Entre os clubes, o Barcelona conseguiu a indicação de seis jogadores, enquanto a Internazionale de Milão teve quatro relacionados.

O craque argentino Lionel Messi teria todas as chances de conquistar o bicampeonato como o melhor do mundo. Mas o fracasso da seleção comandada por Diego Maradona na Copa do Mundo e um início de temporada no segundo semestre ainda abaixo das expectativas deve diminuir bem suas possibilidades. Ele, porém, é o único representante da Argentina na lista. O uruguaio Diego Forlán, escolhido o melhor jogador da Copa do Mundo da África do Sul, também está entre os melhores.

Quem ressurge como candidato é o português Cristiano Ronaldo, graças a seu desempenho com o Real Madrid, do técnico José Mourinho. Mas a sua fraca atuação no Mundial sul-africano deve trabalhar bastante. O holandês Wesley Sneijder, vice-campeão mundial, é outro forte concorrente a se consagrar em ano de Copa do Mundo.

A LISTA DOS MELHORES

Goleiros

Júlio César (BRA)

Iker Casillas (ESP)

Laterais

Maicon (BRA)

Daniel Alves (BRA)

Philipp Lahm (ALE)

Zagueiro

Carles Puyol (ESP)

Meias

Xavi (ESP)

Xabi Alonso (ESP)

Andres Iniesta (ESP)

Cesc Fabregas (ESP)

Wesley Sneijder (HOL)

Mesut Özil (ALE)

Bastian Schweinsteiger (ALE)

Atacantes

Cristiano Ronaldo (POR)

Diego Forlán (URU)

Arjen Robben (HOL)

Lionel Messi (ARG)

Miroslav Klose (ALE)

Thomas Müller (ALE)

Didier Drogba (CMA)

Asamoah Gyan (GAN)

Samuel Eto"o (CAM)

David Villa (ESP)

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