''As coisas precisam começar a acontecer já''

Capitão são-paulino diz que time necessita de reação urgente, se quiser ser campeão, e não descarta retorno à seleção

Daniel Akstein Batista, O Estadao de S.Paulo

13 de julho de 2008 | 00h00

Rogério Ceni está preocupado. Não com seu futuro, mas com a situação do São Paulo no Brasileiro. O goleiro, que virou titular em 1997, tem mais dois anos e meio de contrato e não descarta uma prorrogação. Mas, antes de pensar no que vem pela frente, precisa ajudar seu time a se reerguer na competição nacional. O número 1 sabe que a facilidade que o São Paulo teve no ano passado, quando foi campeão com quatro rodadas de antecedência, não vai se repetir. E, se hoje a vitória não vier sobre o Palmeiras, as coisas vão começar a se complicar mais. ''Ainda dá pra ser campeão, mas as coisas precisam acontecer já. É difícil recuperar uma diferença de 9 pontos (para o líder Flamengo)'', declarou, em entrevista ao Estado.Você está com 35 anos e ainda é um dos melhores do time. Como se mantém em forma, o que mudou nos seus treinamentos?Hoje dou ênfase à musculação, que antigamente fazia muito pouco, e faço alongamento - isso é essencial para dar longevidade na profissão. Antes só trabalhava com bola e a certa altura da carreira tem de se dar atenção à musculatura. Aos 35 anos, o desgaste físico é muito grande no treinamento diário. Não adianta eu fazer hoje o que fazia 15 anos atrás. Até faço, mas com carga menor.Você falou que sonha jogar no Morumbi após as reformas... Já pensa em renovar contrato?No futebol não se pode pensar a tão longo prazo. Já falei que ia jogar mais, por causa da Copa, mas foi até em tom de brincadeira. Não dá para fazer planos tão longos. Hoje me sinto muito bem fisicamente para jogar. Estou com o mesmo peso de quando fui campeão mundial, em 2005. Nunca tive lesões que me tiraram por mais de 30 dias. Fiz três artroscopias, duas no joelho direito e uma no esquerdo, que não me incomodam. Me sinto bem, tranqüilo, com 813 jogos...E sonha chegar ao 1000.º jogo?Sonho jogar o próximo, viver cada jogo. Para mim não faz diferença o número de jogos, de gols. O que muda na minha vida é ganhar jogos, títulos...Antes da estréia na Libertadores, você disse que o São Paulo não era favorito ao título. Repete o discurso no Brasileiro?Não é meu discurso. É observação natural. Com a produção de hoje não dá para falar que o São Paulo é favorito. O futebol brasileiro está extremamente competitivo. Em dois jogos seguidos que tínhamos de somar ponto, só somamos um.Em 2007, o São Paulo caiu na semifinal do Estadual, depois na Libertadores e também começou mal o Brasileiro. Você vê alguma semelhança com o atual time?Não, porque o que o São Paulo fez ano passado foi atípico. Não tomava gols, as coisas se encaixaram de uma maneira quase que perfeita. As coisas não estão acontecendo com tanta facilidade como no ano passado, mas ainda é possível ser campeão. Tudo passa por domingo. Se perder, a diferença para o Flamengo (caso eles ganhem), vai ser de 24 a 14.O jogo contra o Palmeiras é de fundamental importância?Não é jogo-chave. Independentemente de ser um clássico, é adversário que está na nossa frente. Ainda há tempo, mas as coisas precisam acontecer já. É difícil recuperar uma diferença de 9 pontos.Mas só foram 10 rodadas...Dez rodadas são 25% do campeonato. Quem não conseguiu fazer até agora, não é depois que vai fazer algo fora do comum. Ninguém fará mágica.O grupo do São Paulo é bom?É um grupo ótimo em questão de relacionamento. Temos deficiência em alguns setores.Qual setor? A zaga?A zaga não teve queda nenhuma. Precisamos de um jogador no meio. A zaga é firme, boa...Mas não igual à de 2007...Nossa média de gols sofridos chegou a 0,28, isso não existe. Passamos 11 jogos sem levar gol. Difícil isso acontecer num futebol em que dão pênalti até fora da área.Você faz projeção de pontos?Para fazer projeção por rodada tem de ganhar. Aí é possível analisar a tabela. O ideal, para ser campeão, não pode fugir de uma média de 66% de aproveitamento. Devíamos estar com 20 pontos. Estamos com 47% e assim não vamos a lugar nenhum. Mesmo com 60% é difícil ir pra Libertadores.Por que não faz mais gols?Eu bati agora falta contra o Náutico (quarta-feira). Sabe quando havia batido antes? Contra o Grêmio, na primeira rodada do Brasileiro. Até quarta não tinha nenhuma falta pra bater. Pênalti? Não bati nenhum. Tem de ver a quantidade de oportunidade que você tem, as faltas rarearam lá perto da área. Não adianta ir pra bater qualquer falta. Treino todos dias faltas, pênaltis e não tenho dor de nada.Fica incomodado quando vê nota baixa no jornal, crítica?Não tenho raiva. Só fico impressionado com a diferença dos jornais... Um jogador tira nota 8 em um e 5 no outro. Para mim, não muda absolutamente nada, nem quando vejo nota alta. Eu sei quais jogos vou melhor, não preciso da avaliação do cara do jornal. Só me incomodo com a diferença de um jornal pra outro.Você já falou que sonha ser dirigente do São Paulo...Nunca falei isso, são as pessoas que falam que vou ser o futuro presidente do São Paulo. Gostaria de futuramente, se possível, ajudar o clube, não necessariamente como presidente.É difícil ver alguma imagem sua fora do São Paulo. Por quê?Minha vida é corrida, fico muito tempo concentrado e pouco tempo em casa. E na minha casa não entra ninguém, só entram amigos. Lá é o único lugar em que tenho privacidade. Já tem câmera no CT, em jogo, treino, viagens, aeroporto... Não preciso de câmeras na minha casa.O Dida e o Marcos já encerraram seu ciclo na seleção brasileira. Você também?Sou funcionário do clube, trabalho todos os dias e me encontro bem. Não posso dizer que encerrei meu ciclo. Se um dia me chamarem, vou lá fazer meu melhor.

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