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As verdades do clássico

Não se pode dizer que o empate tenha sido péssimo para o São Paulo. Se o pontinho obtido no Pacaembu significa muito pouco para a classificação no Campeonato Brasileiro, pelo menos estanca a série de derrotas consecutivas.

PAULO CALÇADE, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2013 | 02h11

Agora o time viaja para cumprir seus compromissos internacionais com um fiozinho de esperança e a zona de rebaixamento para recebê-lo na volta, provavelmente na última posição.

O Corinthians foi tratado como uma oportunidade. A fase ruim não permitia mais do que uma postura humilde. Consciente de sua fragilidade e mobilizado para contra-atacar, o time de Paulo Autuori cumpriu a missão que lhe cabia.

Mas não se engane, há mais informação do que se imagina nesse clássico. A começar pelo desconforto de Tite ao tentar explicar o resultado. Desde a conquista do Brasileiro de 2011, que levou o grupo ao topo do mundo, o Corinthians tem sido quase imbatível nos mata-matas.

Venceu assim a Libertadores, o Mundial, o Paulista e a Recopa Sul-americana. A eliminação mais dolorida veio recentemente, diante do Boca Juniors, no torneio mais importante, graças ao apito pesado do árbitro paraguaio Carlos Amarilla.

Essa, agora, é a missão de Tite. Estabelecer metas e conseguir motivar os jogadores também nos pontos corridos. O time não tem jogado para tanto, basta observar o clássico e ver o perigo que o momento representa. Com apenas 11 pontos em 9 jogos, a parte inferior da tabela é areia movediça, quando começa afundar...

O São Paulo deste Campeonato Brasileiro sabe o peso disso. Poucas vezes se viu a equipe tão fragmentada. Remendada na defesa, no meio de campo e no ataque. Costurada à zona do rebaixamento, precisava mesmo de humildade.

Paulo Autuori limitou a presença dos laterais no ataque e trancou-se na defesa com três volantes. Em campo havia um projeto de marcação muito bem definido para proteger Rogério Ceni e conseguir uma bola para vencer o jogo. Antes de se mandar para frente, era necessário sentir a pulsação do adversário.

O fraco primeiro tempo ficou longe do ideal são-paulino, mas adequado às circunstâncias. Um único chute a gol em 45 minutos refletiu bem a capacidade de uma equipe ofensivamente vazia, com Jadson apagado e os atacantes Oswaldo e Ademílson distantes do gol. Não havia profundidade, até aquele momento o São Paulo não incomodava.

O Corinthians blasé demais e encaixado na marcação permitiu ao adversário mudar de comportamento na segunda etapa. Era possível sair um pouquinho mais e tentar a vitória. A sonolência corintiana durou até a entrada de Pato e de Renato Augusto, nas vagas de Guerrero e Émerson, aos 16 minutos.

Talvez a dificuldade de Tite em falar sobre o rendimento do time passe justamente pela alteração dele. A formação do segundo tempo foi superior, houve mais movimentação, queria mais o jogo. Curiosamente, o Corinthians possui o pior ataque e a melhor defesa do campeonato. Ataca como rebaixado e se defende como campeão.

A mudança passa também pelo São Paulo. Aliás, já começou, explica o fim da linha para Lúcio. A desobediência tática do zagueiro foi cruel para a defesa e contribuiu para colocar o time na zona do rebaixamento. Não foram poucos os avisos, os pedidos e a súplicas para que ele fizesse o básico, defender.

Serve de alerta aos demais. Ontem o comportamento tático são-paulino refletiu a realidade da instituição. Para afastar a crise é recomendável acelerar aos poucos, não inventar, melhorar o posicionamento até recuperar a confiança. Foi o ponto possível, quando fundamental era não perder.

As verdades do futebol não valem para todas as partidas. A maioria dos clássicos se sustenta basicamente pela rivalidade e isso basta. É normal defini-los como um campeonato a parte. Neste 0 a 0, porém, havia mais em jogo do que um confronto entre momentos absolutamente distintos. O São Paulo precisa de sacrifício e o Corinthians de cuidado.

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