Asafa leva euforia ao esporte jamaicano

O atletismo jamaicano está eufórico com a quebra do recorde mundial dos 100 metros por Asafa Powell. Ao contrário da maioria dos velocistas do país, que emigraram para os Estados Unidos em busca de treinamento mais sofisticado, o atleta é um legítimo "made in Jamaica" pois treina em Kingston com técnico local. Não só tornou-se um orgulho nacional como pode ser útil para o desenvolvimento do esporte local. "A vitória de Asafa é um fator de motivação porque outros atletas vão ver que temos treinamento adequado aqui", disse o Howard Aris, presidente da Associação Amadora de Atletismo. "Isso demonstra que podemos produzir velocistas de primeira linha sem que seja necessário ir para uma universidade nos Estados Unidos." Mas Asafa bem que buscou o caminho tradicional depois da malsucedida tentativa de jogar futebol. Em 2000, treinou com o irmão Donovan na Universidade do Texas. Os americanos, porém, não reconheceram seu potencial e o atleta voltou para a Jamaica. Sua carreira foi salva pelo técnico Stephen Francis, que trabalha no Centro de Alta Performance da Universidade de Tecnologia de Kingston. Foi lá que Asafa se aperfeiçoou até chegar ao auge, ontem, quando percorreu 100 metros em 9s77 e bateu o recorde mundial. O Primeiro Ministro, P.J. Patterson, classificou o feito como "uma vitória do país". Mas não é somente por sua história que Asafa se distingue dos outros velocistas. Ao contrário dos falantes e agitados americanos, o jamaicano mantém a imagem sóbria de filho de pregador, com sua fala mansa e jeito descontraído, em estilo que combina perfeitamente com o reggae, ritmo imortalizado por seu compatriota, Bob Marley.

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