Daniel Zappe/Exemplus/CPB
Daniel Zappe/Exemplus/CPB

Assista à dobradinha brasileira no Mundial Paralímpico a partir das reações de um cego

Jonas Freire, diretor técnico do Brasil, narrou para o presidente do CPB, Mizael Conrado, o pódio duplo do País nos 400m T-47 em Dubai

João Prata, enviado especial a Dubai, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2019 | 08h30

A cena é comum nas arquibancadas do Dubai Club, estádio onde acontece o Mundial de Atletismo Paralímpico. O cego e uma pessoa ao lado contando o que está acontecendo na pista. O Estado acompanhou a decisão dos 400m classe T47 (amputados membros superiores) de costas para a pista e de frente para a torcida na tentativa de mostrar todo o sentimento de quem está acompanhando a modalidade ao vivo e não consegue enxergar.

Mizael Conrado é hoje o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro. Ele nasceu cego devido a uma catarata congênita. Ainda bebê, conseguiu recuperar um pouco da visão após passar por diversas cirurgias. Aos nove anos, sofreu descolamento de retina e deixou de enxergar aos 13 anos. Foi quando descobriu o futebol de 5. Na modalidade, ajudou a seleção brasileira se tornar bicampeã mundial e em 1998 recebeu o título de melhor jogador do mundo.

O comando do CPB ele assumiu em março de 2017 para um mandato de quatro anos. No sábado, subiu no alto da arquibancada para acompanhar a participação brasileira no Mundial de Atletismo. O diretor técnico do Brasil, Jonas Freire, o acompanhou e fez as vezes de narrador. A decisão dos 400m T-47 era a mais esperada da noite, pois havia três atletas do País com chances de ir ao pódio.

Mizael começou a prova tranquilo. Uma voz nos auto-falantes do estádio e o barulho dos demais torcedores atrapalhavam a narração de Freire. "E aí, e aí?", perguntava. O diretor técnico descrevia a posição dos brasileiros e informava em que parte da pista estavam. Depois da última curva, com Petrúcio Ferreira na liderança, Mizael levantou e começou a gritar. Freire seguiu com as informações até a comemoração da dobradinha brasileira.  

Petrúcio garantiu a medalha de ouro e Thomaz Ruan terminou com a prata na classe destinada aos amputados de membros superiores. O outro brasileiro da prova, Yohansson Nascimento, ficou a 35 centésimos do bronze e terminou na quarta colocação. O Marroquino Ayoub Sadni completou o pódio e estragou a festa tripla.

Apesar da prova não ser sua especialidade, Petrúcio ficou a 18 centésimos do recorde mundial. Ele fez a prova em 47s87 e a melhor marca da história, que pertence ao australiano Heath Francis, é de 47s69. Na comemoração da vitória, o brasileiro nascido no sertão da Paraíba vestiu um chapéu de couro típico da sua região.

O Brasil fechou o sábado com essas duas medalhas e se manteve em segundo lugar no quadro geral, com oito pódios no total (quatro ouros, duas pratas e dois bronzes). A China disparou na liderança com 16 medalhas (seis de ouro, seis de prata e quatro de bronze).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.