Assunção resolve

A polêmica em torno da eficiência de veteranos é quase tão antiga quanto o próprio futebol. A gente tende a achar que o sujeito cujo velocímetro etário já bateu nos 34, 35 anos precisa cuidar da aposentadoria e virar corneteiro da antiga profissão, ou técnico, ou cartola, ou empresário, ou comentarista esportivo. Só não pode entrar em campo.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h04

Regra furada. E aí está o Marcos Assunção para confirmar. O Palmeiras apresentou-se em Florianópolis, ontem à noite, sob o comando do estreante Gilson Kleina, mas quem brilhou foi o vovô da equipe, pois dos pés dele veio a vitória sobre o Figueirense: fez os lançamentos precisos para os dois primeiros gols e fechou a conta no segundo tempo. De quebra, teve um anulado, por impedimento de Valdivia em cobrança de falta. Teria sido outro o destino do time nas sete partidas em que ficou fora para recuperar-se de operação? Talvez.

O Palmeiras sob nova direção não foi diferente, na escalação, daquele construído por Felipão. A mudança se concentrou na vontade dos jogadores - consequência, garantem todos, da tomada de consciência de que a salvação depende deles. Ué, mas antes estavam distraídos, anestesiados, dispersivos...?

Os ventos favoráveis que escassearam até dias atrás deram o ar da graça. Porque não houve estratégia revolucionária, mas eficiência (e uma pitada de sorte) nos lances que garantiram vantagem de 2 a 0 em dez minutos. Nem o Nilson Pasquinelli (o diagramador verde do Estado), com quase eterno otimismo em torno do Palestra, imaginaria tal panorama. O jogo foi definido ali, a ponto de o gol de Aloísio, aos 20 minutos da etapa final, não ter abalado a equipe. Considere-se, também, que dois minutos depois Assunção fez o terceiro.

O Palmeiras continua encalacrado na parte de baixo da classificação, com 23 pontos. Não sai de lá nas próximas rodadas. Mas, se se falou tanto da "arrancada heroica", em algum momento ela precisava começar. Pode ter sido ontem à noite. O time deu um passo para fugir do rebaixamento; faltam-lhe outros 12.

O que foi isso?! 1. O Flu abriu 2 a 0 sobre o Náutico, em Volta Redonda, deixou o rival diminuir e esteve perto de tomar o empate no finalzinho. Não levou porque o árbitro Pablo dos Santos Alves, o bandeirinha e o olheiro da linha de fundo ignoraram o empurrão, a cama de gato, o chega pra lá que o zagueiro Gum deu em Kim em cima da linha do gol. Absurdo, um escândalo! Se o bandeirinha que não viu impedimentos santistas em gol contra o Corinthians pegou um mês de geladeira (ficou sem atuar, como punição), esse trio deveria fazer um longo estágio na Sibéria.

O que é isso?! 2. O Santos perdeu Ganso, que havia tempos estava enfadado na Vila e agora tenta vida nova no Morumbi. Além disso, ficou sem Neymar, no jogo de ontem à noite com a Lusa. Resultado: virou time apagado, insosso e presa fácil no Pacaembu. A derrota por 3 a 1 foi pouco. O humor de Muricy Ramalho vai azedar daqui até o fim da temporada. A Lusa vê o descenso bem de longe...

Volta por cima. O Atlético-MG recebe o Grêmio, hoje, em duelo de equipes que brigam pelo título de 2012. Ambas têm personagens importantes, para os quais o Brasileiro foi oportunidade para recuperar prestígio, depois da coincidência de maus momentos no Fla. Ronaldinho Gaúcho voltou a ser protagonista, agora no Galo, e Vanderlei Luxemburgo se reencontrou no Sul. Resgate merecido.

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