Astro chega ao clube como Garrincha em 66

Ponta-direita também foi contratado com pompa, embora já apresentasse problemas físicos

, O Estadao de S.Paulo

10 de dezembro de 2008 | 00h00

Muitos torcedores nem se lembram, mas não é a primeira vez que o Corinthians contrata um craque em final de carreira e se recuperando de lesões. Em 1966, também em início de temporada, o clube anunciou o reforço de Mané Garrincha, o genial ponta-direita que encantou o mundo nas Copas de 1958 e 62 e que eternizou a camisa 7 do Botafogo. Coincidentemente, Garrincha chegou ao clube aos 32 anos. Sua passagem, porém, não foi das melhores.A estréia ocorreu no dia 2 de março, contra o Vasco da Gama, no Pacaembu, numa quarta-feira, pelo Torneio Rio-São Paulo. Não poderia ter sido pior: 3 a 0 para os cariocas.No segundo jogo, outra derrota, desta vez por um placar maior: 5 a 1 para o Botafogo, no Rio. O único gol corintiano foi marcado por Rivellino.A boa notícia para os corintianos viria logo depois. Foi contra o rival São Paulo que Garrincha marcou seu primeiro gol com a camisa do clube, avançando pela direita e chutando quase sem ângulo. Contra outro rival paulista, porém, não teve a mesma sorte: desperdiçou uma cobrança de pênalti, defendida pelo palmeirense Valdir Joaquim de Moraes. Num jogo memorável contra o Santos, Garrincha sofreu um pênalti no final da partida, mas o atacante Flávio errou a cobrança.O Corinthians, porém, ainda seria campeão naquele torneio, mas em um título dividido com outros três times: Botafogo, Santos e Vasco. Isso porque, em função da Copa do Mundo, não houve data para uma fase final, que definiria o único campeão.Garrincha fez 13 partidas pelo Corinthians e marcou dois gols. Foi embora sem deixar saudades e sua passagem criou várias histórias que nunca foram comprovadas, como um possível boicote dos companheiros, que se recusavam a passar a bola para o craque, com salário maior que todos os outros.O presidente do Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians e ex-diretor de futebol, Antônio Roque Citadini, conta que esteve no Pacaembu na estréia de Garrincha, mas garante que não viu o jogo. "Era impossível, tamanha a quantidade de gente para prestigiar a estréia daquele jogador genial", conta. "O saldo da passagem do Garrincha pelo clube foi muito bom. Sua família reconheceu na biografia do atleta que o Corinthians foi o único clube a tratar o Garrincha decentemente em toda sua carreira. E uma prova disso foi que, naquele ano de 66, ele voltou à seleção em função de suas boas apresentações", recorda-se Citadini.O dirigente garante, porém, que só o marketing não justifica contratações deste tipo. "O que define a passagem de um jogador pelo clube é se ele vai jogar bem ou não. O marketing dá um retorno imediato, mas termina a partir do momento em que o jogador não consegue render um bom futebol."

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