Astro da MotoGP se encontra com F-1 e vê início de ano difícil

Valentino Rossi, 9 vezes campeão do mundo, se reúne com Alonso e Massa, e acha que ele e a Ducati têm de melhorar

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2011 | 00h00

A Fórmula 1 de campeões como Michael Schumacher, Fernando Alonso e agora Sebastian Vettel é mesmo um universo bastante distinto do da MotoGP, de lendas como Valentino Rossi, nove vezes campeão do mundo, por exemplo. Ontem, Il Dottore, como o próprio meio das motocicletas o chama, deu na sua primeira entrevista oficial como piloto da Ducati um show de espontaneidade, comportamento proibido aos pilotos pelas anacrônicas equipes de Fórmula 1.

A Ducati é patrocinada pela Philip Morris, dona da marca Marlboro, tradicional empresa que investe na Ferrari também. O encontro com a imprensa promovido em Madonna di Campiglio, na Itália, reúne as duas equipes, a de F-1 e a da MotoGP.

Rossi respondeu todas as perguntas, sem esquivar-se de nada. Por qual razão exigiu uma separação nos boxes da Yamaha do companheiro Jorge Lorenzo, no ano passado? O italiano passou a não dividir com o jovem piloto espanhol, que viria a ser campeão do mundo, as informações sobre acerto da moto. "Os campeonatos de 2007 e 2008 foram duros, a moto da Yamaha tinha uma série de problemas, precisamos trabalhar muito para solucioná-los", disse Rossi. Lorenzo não fazia parte do time. "A divisão visou a salvar o meu trabalho." Em outras palavras, não achava justo o talentoso Lorenzo receber tudo de graça.

Rossi se acidentou nos treinos da etapa de Mugello, fraturou a perna direita e ficou fora de quatro corridas. Lorenzo aproveitou bem a oportunidade e com seu talento chegou ao título. "Eu o considero favorito para 2011. Quanto à Ducati, o primeiro que tenho a fazer é estar 100%, o que não penso que será o caso no começo da temporada", disse.

No dia 14 de novembro o mais carismático piloto da história do motociclismo foi operado para recuperar dois tendões na região posterior do ombro. "Ainda não tenho força na mão esquerda, por isso nos testes de fevereiro, na Malásia, não poderei dar o máximo." Já para a abertura do campeonato, no dia 20 de março, no Catar, o objetivo de Valentino Rossi, de 31 anos (completará 32 no dia 16 de fevereiro), é estar em melhores condições. "Nossa torcida terá de ser um pouco paciente. Eu preciso estar em situação física mais apropriada e também temos de melhorar a Ducati", alertou o supercampeão.

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