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Astro gigante

LeBron James mostra como esportista famoso pode ter gestos brilhantes na vida real

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2018 | 04h00

Logo de cara, a ressalva: não sou dos que veem ídolos do esporte como seres humanos perfeitos e com superpoderes. Considero os craques de gramados, pistas, quadras, piscinas como pessoas talentosas, caprichosas e preparadas naquilo que fazem. Por extensão, não exijo deles mais do que a emoção que nos proporcionam – e compreendo algumas decepções, ao falharem na cesta decisiva, no pênalti do título, no set derradeiro. Erros acontecem com todos nós. Não se deve esperar dos astros do dia a dia atitudes impecáveis e divinas.

Feita a consideração no longo parágrafo introdutório da crônica, outra constatação: como é bacana quando personagens influentes têm gestos grandiosos e firmes, não se fecham na bolha do mundo glamouroso da fama e demonstram consciência social! Anima constatar que gente que admiramos (e invejamos, ora bolas) não fecha os olhos para suas raízes e devolve para as comunidades de origem um pouco do que acumulou com o sucesso. 

Taí LeBron James para mostrar como se pode desfrutar do êxito com generosidade. O gigante do basquete americano arrasa ao vestir a camisa de seu time – acabou de receber uma grana alta para se transferir para os Lakers – e não sai pela tangente, sempre que considera necessário expor opiniões como qualquer cidadão livre. A ponto de ser um dos críticos de medidas de Donald Trump, o presidente dos EUA, que o rebate em redes sociais. LeBron parece não estar nem aí para o poder...

Diferenças políticas com Trump à parte, o polivalente ala de 2m03 não erra botes também na vida cotidiana. Para não ficar só em conversa fiada, dia desses inaugurou escola-modelo para cuidar de 250 crianças em situação de risco em Akron, cidade natal dele. Claro que teve imprensa e solenidade – inevitável. Mas sem que celebridades, socialites, penetras e parças tentassem brilhar mais do que a obra em si.

LeBron falou bonito e claro, lembrou dos problemas que teve na infância, viu-se refletido na meninada pobre e encarou com naturalidade a doação. Reações de quem sabe o que faz, de quem jamais diria que o norte-americano herdou a indolência dos índios ou a malandragem do negro. Ou que o país deveria barrar os imigrantes. 

Alguém pode achar que este espaço se derrete para algo que vem de fora, uma vira-latice para gringos, ao mesmo tempo em que ignora o que fazem por aqui esportistas de renome. Engano. A admiração por movimentos humanitários excede fronteiras e nacionalidades; tanto faz se é japonês, escocês, argentino, brasileiro. Aplausos para atletas que curtem os benefícios da profissão sem tirarem o pé da vida real.

LeBron se revela mestre nesse quesito, e exemplo a seguir. Se bem que não precisa ser rico e famoso para ajudar os outros. Você, eu, nosso vizinho podemos colaborar, com pequenas doações. Tem muita coisa legal por aí.

 

DECLARAÇÕES DE AMOR

Está no folclore do futebol jogador declarar-se torcedor, “desde criancinha”, do clube que o contrata. Há quem adapte o discurso, na cara dura, mesmo se mudar de camisa umas 20 vezes. 

Desconfio que as juras de amor são verdadeiras por parte de jovens que se mandam, cada vez mais cedo, para as multinacionais europeias da bola. Pelo viso não se trata de manifestações protocolares e midiáticas.

Só nas últimas semanas, Arthur e Malcom (ambos no Barcelona) e Vinicius Júnior (Real Madrid) se esparramaram em entusiasmo pelas novas aventuras e revelaram que vivem a realização de sonhos e etc. 

Nada contra eles, de jeito nenhum! Nem há insinuação de que agiram com cinismo. Antes fosse assim! Chato nisso é que soaram sinceros... Parece que a garotada dá os primeiros chutes nos times de cá com a cabeça voltada para o futuro nas equipes de lá. Desanimador. 

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