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Astros brasileiros ganham adversário extra: a pressão

Expectativa por bons resultados tira o sono de atletas como o nadador Daniel Dias, que tenta hoje a sua primeira medalha

VALÉRIA ZUKERAN, ENVIADA ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h05

A Paralimpíada de Londres começa para valer hoje e muitos atletas brasileiros estão enfrentando um adversário até então desconhecido: a pressão por resultados. O nadador Daniel Dias, por exemplo, admitiu ter sentido os efeitos da ansiedade. "Tive de pedir para o médico alguma coisa para dormir'', revelou. Depois de ganhar nove medalhas em sua primeira participação, há quatro anos, em Pequim, Dias vai lutar por oito na segunda - duas em provas de revezamento e seis em individuais. Hoje, busca a primeira delas, nos 50 metros livre.

Dias está vivendo uma experiência nova. Na China, não havia expectativa sobre sua participação. Agora, o Brasil conta mais do que nunca com ele para atingir a meta de terminar a Paralimpíada em sétimo lugar. O nadador sabe que é o homem a ser batido pelos rivais. "Mas tento ver o lado bom da situação, que é ter o respeito dos adversários.''

Ontem, Daniel foi o porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura. "Fiquei preocupado. Carregar a bandeira é uma emoção muito grande.''

Clodoaldo Silva, companheiro de piscina e de prova de Daniel, está tão empolgado com o ambiente em Londres que já admite rever sua decisão de se despedir das competições na Inglaterra. Pode participar da Paralimpíada do Rio, em 2016. "Confesso que estou bem na dúvida. Um dos motivos é minha filha Anita'', diz. A ideia de proporcionar à menina, de nove meses, a oportunidade de vê-lo em ação daqui quatro anos é um estímulo.

Se a Paralimpíada tem causado ansiedade em uns e dúvida em outros, para a velocista Terezinha Guilhermina tem possibilitado desfrutar dos benefícios da experiência. Ela conta que está dando maior vazão às emoções e deixando transparecer um lado 'menos automático', se comparado ao que fez nos Jogos de 2004 e 2008. "Estou trabalhando, mas também vivenciando cada momento. Compartilho tudo junto com as meninas que estão no meu apartamento. Hoje, estou conseguindo administrar as emoções como nunca fiz antes.''

A mudança, segundo Terezinha, afetou até sua aparência. Como não enxerga, vai competir com vendas feitas especialmente para ela, bordadas com paetês e outros adereços. Na mala, vieram 14 versões do adereço, algumas para dar de presente. "O pessoal acha o máximo eu não enxergar mas ser colorida.''

Estreias. O Brasil também estreia no basquete em cadeira de rodas, contra a Austrália. No golbol, os homens enfrentam a Finlândia e as mulheres, a Dinamarca. A equipe do hipismo de adestramento também entra em ação, assim como o judô e o tênis de mesa.

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