Astros do esporte encaram maratona de entrevistas

Tenistas passam por um batalhão de jornalistas antes do torneio; e com exclusividade, falam sobre a futura visita ao Brasil

SONIA RACY / NOVA YORK , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2012 | 03h06

Quem assistiu às entrevistas sábado de Andy Murray e Roger Federer, em Nova York, no estádio Flushing Meadows poderia pensar que o vencedor da Olimpíada foi Federer. E não Murray. O jogador britânico (ele nasceu na Escócia), que deu um presente ao Reino Unido ao conquistar a medalha de ouro em casa, estava cabisbaixo, monossilábico e cansado. Nada entusiasmado.

Evitando olhar para a audiência ou para os que lhe faziam perguntas, o atleta certamente não passava por um de seus melhores dias. Tanto assim que tampouco se arriscou em fazer previsões. Provocado pelo batalhão de jornalistas que cercavam os jornalistas, Murray acabou contando que teve, semana passada, um pesadelo revelador do seu estado de espirito: foi derrotado em Londres em seu sono. Questionado se ao menos já sonhou com a vitoria no US Open, respondeu um "ainda não", rindo, em um dos seus poucos momentos de descontração.

Federer, por sua vez, mostrou segurança e simpatia. Confiante, lembrou suas muitas perdas sofridas no ano passado. "Não foi só aqui, no US Open. Perdi também em Wimbledon", ressalvou o tenista, que já foi campeão do Aberto dos Estados Unidos em cinco ocasiões.

O líder no ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) ainda disse que lamenta a ausência do espanhol Rafael Nadal, que desistiu de disputar o torneio para se recuperar de uma lesão no joelho, que também o impediu de disputar os Jogos de Londres. "Mas assim ele poderá se recuperar melhor", afirmou Federer.

Visita ao Brasil. Em conversa exclusiva com o Estado, Federer se disse entusiasmado com o fato de ter acertado, com a Koch Tavares, sua vinda ao Brasil para dois jogos de exibição. Misterioso, não revelou quanto ganhará da Gillette, patrocinadora do evento em São Paulo, Entretanto, não se faz de rogado ao esclarecer o motivo pelo qual aceitou o convite: "Sou muito curioso, gosto de conhecer todas as partes do mundo e quero muito ir para São Paulo, ver o Rio de Janeiro. A Bahia é interessante? Olha, só ouço coisas boas de vocês", ressaltou. Luiz Felipe Tavares, por sua vez, tampouco quis dizer quanto pagará para Federer, ou aos outros tenistas que jogarão nos dias 6, 7 e 8 de dezembro. "Cada um foi fruto de uma negociação diferente", explica Ippy, como é conhecido o mentor da empresa especializada em tênis, que comemora 40 anos de sucesso no mercado.

Amigos por aqui? "Gosto muito do Guga, ele é uma pessoa excepcional. E excelente jogador, considero ele meu verdadeiro amigo", diz o maior tenista de todos os tempos, logo depois de cumprir agenda para lá de apertada: a de atleta da comunicação.

Maratona de mídia. Segundo o suíço, os quatro melhores jogadores do ranking mundial são obrigados, por contrato, a darem uma entrevista coletiva antes de qualquer um dos quatro Grand Slams (Roland Garros, Us Open, Wimbledon e Australian Open). E ainda atender as televisões em diferentes agendas.

O tenista, bem como Murray, deu sábado 12 entrevistas de 5 minutos cada às emissoras de TV que se enfileiraram no pátio do estádio onde o evento acontece. Sempre com um sorriso no rosto e muita paciência. Afinal, manter o bom humor quando todos perguntavam as mesmíssimas coisas individualmente (quem tem chances de vencer o US Open, se ele, Federer, não se acha velho para continuar jogando no circuito, o que pensa fazer no futuro, entre outra perguntas dos jornalistas) é fruto, certamente, de esforço e treinamento. Já Murray, na mesma maratona, se mostrou menos paciente, mas aguentou firme.

Pergunta para Federer: no mundo de hoje, se você não for um bom comunicador mas for um bom profissional - seja do tênis, das artes plásticas, do mundo empresarial - tem alguma chance de sucesso? O tenista pensou, demorou e ponderou: "Espero que sim". Indagado, Murray não quis responder.

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