Atacantes fazem de conta que não há crise

Washington e Borges desmentem racha no grupo. Mas não convencem

Giuliander Carpes, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2009 | 00h00

Washington e Borges vieram a público ontem para desmentir que haja um racha no elenco são-paulino e, principalmente, uma briga entre os dois principais atacantes do time. Não convenceram ninguém.O discurso deles deixou claro que há, sim, insatisfação. Washington quer ter mais chances de gol. Borges não quer mais esquentar o banco de reservas."O São Paulo tinha um grupo campeão brasileiro e contratou outros jogadores", reclamou Borges, logo na primeira frase da entrevista coletiva concedida ontem. "No futebol, a vitória justifica tudo. Se a gente tivesse vencido o Cruzeiro, hoje não se estaria comentando isso (o ambiente ruim do clube)."Washington disse que a disputa por uma posição no ataque "é sadia". "Não tem ciúme. Se fosse assim, zagueiros e laterais também ficariam enciumados", justificou. "Claro que todo mundo quer jogar, mas a gente tem de respeitar o companheiro que entra em campo." O atacante confirmou, contudo, que realmente saiu exaltado do vestiário depois de ser substituído no intervalo do jogo contra o Cruzeiro (derrota por 2 a 0, pela Libertadores). Foi até o seu carro, no estacionamento do Morumbi, e ficou lá até se tranquilizar. "Fiquei um pouco com a minha esposa para me acalmar", contou. "Mas sabia que precisava sair daquele jogo. A bola não estava chegando e o Muricy (Ramalho, ex-treinador do time) precisava de um jogador de velocidade para mudar um pouco o ritmo do jogo." O centroavante deixou claro, porém, que está incomodado. O motivo são as cobranças pela falta de gols - foram 16 em 30 partidas. Washington salientou que não pode marcar gols se não tem oportunidades. "A minha média está bem abaixo do que estou acostumado a fazer em outros clubes", pontificou, com o tom de voz um pouco mais alto que o normal, demonstrando certa irritação. "Mas fase ruim não existe. Me coloca três vezes na cara do gol: se eu não marcar pelo menos um, eu mesmo peço para sair. Mas isso não está acontecendo."O camisa 9 é o jogador mais perseguido pela torcida por causa do rendimento ruim nos últimos jogos. Mas quer continuar no São Paulo para dar a volta por cima. Não quer nem ouvir propostas de outros clubes - um time árabe teria interesse em contar com ele a partir de agosto - e não se preocupa que até o presidente Juvenal Juvêncio tenha admitido a possibilidade de dispensá-lo. "Negociações no futebol são uma coisa normal", reconheceu. "Costumo cumprir meus contratos. Jamais sairia por causa da torcida. Aí sim que eu vou querer brigar para fazer meus gols e mostrar que sou importante para o São Paulo." Hoje, os líderes da campanha "Volta, Muricy!", que lançaram até uma página na internet, devem fazer um protesto no Centro de Treinamento da Barra Funda durante a apresentação do técnico Ricardo Gomes. O São Paulo já pediu apoio da polícia e contratou dez agentes para fazer a segurança do time.

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