Ataque de nervos

Corinthians e São Paulo têm tudo para disputar o título brasileiro até as últimas rodadas, desde que resolvam um problema básico: o ataque. Nos quatro Brasileiros por pontos corridos, o melhor ataque foi campeão. De 2006 para cá, nunca mais esse foi quesito decisivo. Este ano, tem sido.

Paulo Vinicius Coelho, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2011 | 00h00

O Corinthians dos 93% tinha 19 gols em 10 jogos. Nos 13 jogos seguintes, marcou 16. O São Paulo começou a rodada com os mesmos 35 gols do Corinthians, atrás apenas do Botafogo na pontuação dos times mais goleadores. Mas o conhecido defeito do time em casa aparece na estatística - apenas 17, ou 49%, marcados no Morumbi.

São problemas de ordem diferente.

Ontem, o Corinthians confiou na formação invicta no Brasileiro, com Willian pela direita, Jorge Henrique pela esquerda, Liedson centralizado. O Fluminense confiou em conhecer a maneira como joga o adversário. Por mais que Willian tenha vencido o duelo com Carlinhos, o lateral-esquerdo tricolor, Edinho e Diogo anularam Alex.

No segundo tempo, quando teve mais tempo de bola no pé e não foi ameaçado por contra-ataques, a deficiência do ataque corintiano foi mais evidente. Tite viu seu time tocar a bola e não entrar na área rival, exceto em cruzamentos. Faltam as tabelas, as infiltrações e os dribles.

No caso do São Paulo, a dificuldade é diferente. Fora de casa, tem a velocidade de Lucas e Dagoberto e sabe aproveitar contra-ataques. No Morumbi, sem centroavante, não tem quem faça o pivô e centralize os dois atacantes. Adílson vê Lucas e Dagoberto se espalharem, cada um por cada lado do ataque.

Ano passado, quando chegou a seu 23.º jogo, o Corinthians liderava, com quatro pontos e sete gols a mais do que tem hoje. O tamanho da derrota do Palmeiras, no Pacaembu, devolveu ao Corinthians o privilégio de ter e melhor defesa. Mas para ser campeão, Tite precisa melhorar seu ataque.

JOGADA ENSAIADA

A próxima briga. As quatro vitórias consecutivas do Fluminense não colocam a equipe apenas na zona de classificação para a Libertadores pela primeira vez em sua campanha. Coloca na briga pelo bicampeonato. São seis pontos de distância para o líder e futebol bem jogado. Luxemburgo repete com o Flamengo o que tem acontecido com seus times dos últimos anos. Na reta de chegada, o técnico mais vencedor da história do Brasileirão não briga pela taça desde 2004.

A depressão. A derrota do Palmeiras para o Internacional estava anunciada nas escalações. E desde sexta-feira, dia em que Felipão terminou seu treino desanimado com a quantidade de erros de chutes e cruzamentos. Qualquer técnico pode ter culpa por não conseguir resultados expressivos. No Palmeiras, é diferente. Ou se elabora um plano ousado para 2012, que inclua novos parceiros, ou o time repetirá mais uma vez sua sina de derrotas. O ano de 2011 terminou ontem.

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