Até Aécio Neves toma parte na acusação

Governador mineiro diz que crime de Maxi López precisa ser punido

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

A Polícia Civil mineira instaurou ontem inquérito para apurar a acusação de racismo feita pelo volante Elicarlos, do Cruzeiro, contra o atacante do Grêmio Maxi López, durante a primeira partida da semifinal da Libertadores, quarta-feira à noite, no Mineirão. Após a vitória cruzeirense por 3 a 1, Elicarlos registrou ocorrência na delegacia de plantão do estádio, afirmando ter sido ofendido pelo argentino, aos 35 minutos do segundo tempo, que o teria chamado de "macaco". O inquérito foi instaurado pela 16ª delegacia de Belo Horizonte.Aos delegados de plantão, Maxi López negou a ofensa. Em nota divulgada ontem, o delegado Daniel Barcelos alegou que não foi lavrado flagrante, "por se tratar de denúncia verbal, verificando-se contradição e parcialidade nos depoimentos dos jogadores (testemunhas) de ambos os times". O caso, porém, repercutiu até entre a mais alta autoridade do Estado. O governador Aécio Neves (PSDB), que assistiu à partida no estádio, classificou como "absolutamente lamentável" o episódio e ressaltou que se trata de um crime inafiançável. "É preciso que isso tenha consequências", declarou. "Não há outra palavra, é crime e precisa ser punido."Muito menos enfático, o delegado afirmou que considerava prematura qualquer conclusão do caso. "É a versão de um contra a de outro. E sabemos do calor de uma partida de futebol." O argentino alegou que foi apenas uma discussão "normal de futebol e que em momento algum usou qualquer termo depreciativo", disse o delegado. O inquérito policial para investigar suspeita de crime de injúria "qualificada pelo elemento de cor" deve ser concluído em dez dias e encaminhado à Justiça.CARTA MAGNA A Constituição brasileira versa sobre o racismo em seu artigo 5.º (Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos), em que diz que "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos seguintes termos: XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito a pena de reclusão, nos termos da lei"

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