Até Blatter critica a retranca de Parreira

Presidente da Fifa fica irritado com o desempenho dos Bafana no amistoso com a Coreia do Norte e reclama muito do pouco apetite ofensivo da anfitriã do Mundial

, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

Carlos Alberto Parreira arranjou mais um crítico de peso de sua gestão à frente da seleção da África do Sul: ninguém menos que o presidente da Fifa, Joseph Blatter. Tudo por conta do horroroso (em termos técnicos) empate sem gols da seleção anfitriã da Copa do Mundo com a Coreia do Norte, em amistoso disputado quinta-feira, na Alemanha.

Blatter assistiu a partida e ficou negativamente impressionado com o que observou: "Se eles (sul-africanos) jogarem como ontem (anteontem), não teremos muitos gols. O objetivo é fazer gols e sem gols a África do Sul não vai adiante"", alertou.

Os sul-africanos abrem a Copa contra o México, no dia 11 de junho. Mas depois de uma preparação conturbada, o time é alvo de forte desconfianças, mesmo entre seus torcedores.

Parreira, porém, não achou o desempenho sul-africano anteontem tão ruim assim. "Foi um bom teste. A Coreia do Norte jogou bastante retrancada, criamos oportunidades, mas não conseguimos o gol"", analisou.

Ser questionado por causa do esquema pouco ofensivo não é exatamente uma novidade para Parreira. Em 1994, por exemplo, essa foi uma das suas características na seleção brasileira. Naquela ocasião, porém, ele levou a equipe ao tetracampeonato mundial, depois de 24 anos sem um título.

Apesar do alerta preocupado sobre os donos da casa, Blatter destacou o avanço no futebol africano nos últimos anos e aposta que pelo menos uma das cinco seleções do continente chegará às semifinais. Nas casas de apostas, a melhor colocada para atingir esse feito é a Costa do Marfim, adversária do Brasil.

As seleções africanas nunca passaram das quartas de finais de uma Copa. "Eles estão melhorando. Nos times juvenis, já estão entre os melhores. O talento do jogador africano é o mesmo de qualquer outro ou até maior. Agora, eles também tem técnica. O que falta, porém, é disciplina tática"", avaliou Blatter.

O cartola criticou o fato de as seleções africanas não conseguirem manter técnicos por um longo período e condena mudanças de comando a poucas semanas da Copa. Nigéria e Costa do Marfim foram algumas das classificadas ao Mundial que trocaram de técnico. "Essas seleções precisam de continuidade"", disse.

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