Atenas aceita ajuda alheia na segurança

O governo da Grécia admite a presença de reforço militar de outros países, na tentativa de evitar ataques de terroristas na Olimpíada de Atenas. Pelo menos 30 mil soldados, policiais e voluntários gregos participarão do sistema de segurança dos Jogos, o que significa a média de três homens na tarefa de proteger cada um dos 10 mil atletas. Isso, porém, não será tudo: delegações de países economicamente fortes e politicamente mais expostos aos riscos de terror, como os Estados Unidos, Grã-Bretanha e Israel, contarão também com apoio doméstico.Americanos, britânicos e israelenses não querem descuidar. A Grécia está perto demais do Oriente Médio. E o 11 de setembro de 2001, os ataques dos aliados ao Afeganistão e ao Iraque e a persistência da troca de agressões entre Israel e a Autoridade Palestina são recentes demais para alguém acreditar que não existam terroristas planejando atacar Atenas a partir da abertura dos Jogos, 13 de agosto.Essa situação faz com que os Estados Unidos levem adiante, por meio da CIA e do FBI, o projeto Olimpíada 2004. Ou seja: os aviões que levarão atletas americanos terão a bordo policiais do próprio país, encarregados de garantir segurança à delegação na Vila Olímpica, nos recintos esportivos e nos passeios pela capital grega, de um modo discreto.A Grã-Bretanha não vai ficar atrás e seguirá o estilo de James Bond. A insistência do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em se alinhar com o presidente americano, George W. Bush, no ataque ao Iraque colocou os atletas do Reino Unido entre os alvos em potencial de grupos terroristas árabes. Preocupação semelhante afeta os governos da Espanha e da Itália, que, por terem enviado forças militares ao Iraque, já planejam mandar também proteção extra às suas delegações.Se o 11 de setembro de 2001 marcou uma mudança no comportamento do mundo, o 5 de setembro de 1972 significou uma revolução no ambiente das grandes competições internacionais. A Chacina de Munique, ocorrida naquela data, comprovou a vulnerabilidade das Vilas Olímpicas e a falta de limite dos terroristas. Integrantes do movimento palestino Setembro Negro entraram na Vila na madrugada do dia 5 e atacaram o prédio em que se alojava a delegação de Israel. Os terroristas seqüestraram atletas, técnicos e funcionários. Houve tentativa de negociação, mas a polícia de Munique atacou o grupo. O balanço foi trágico: morreram 11 membros da delegação israelense. No dia seguinte, pela primeira vez na história dos Jogos, as competições estiveram suspensas para um ato ecumênico no Estádio Olímpico. Desde aquela época, Olimpíadas e Copas do Mundo transformam suas sedes em verdadeiras praças de guerra, com milhares de soldados e seus modernos equipamentos. Vilas Olímpicas e hotéis de delegações tornam-se fortalezas controladas por guardas, tendo à frente cães farejadores capazes de descobrir explosivos. Recentemente, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Comitê Olímpico Internacional (COI), o presidente da entidade, Jacques Rogge, afirmou que lobby não contaria nas candidaturas olímpicas aos Jogos de 2012, mas cuidado com a segurança sim.Homens e cães falharam, em 27 de julho de 1996, em Atlanta. Uma bomba explodiu no Centennial Olympic Park, causando a morte de uma pessoa e deixando 100 feridos. Vitória do terror.Em Atenas, as autoridades gregas prometem os "Jogos da Paz", mas sabem que seu país fica às portas do Oriente. Por isso mesmo, a oferta de ajuda por parte de outros países é aceita humildemente pela Grécia, interessada em ver tudo terminando bem quando a chama olímpica for apagada, em 29 de agosto.

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