Atenas está quase pronta para os Jogos

O povo da Grécia está agitado, mas não tão dividido quanto 2.400 anos atrás, época das guerras entre as cidades de Atenas e Esparta. A maioria, entusiasmada com as vantagens de o país voltar a ser sede de Olimpíada, tenta convencer a minoria pessimista de que os riscos desse compromisso são limitados. Nos dois lados existe a certeza de que, após o encerramento dos Jogos, jamais Atenas voltará a ser a mesma. Que seja para melhor.Mudanças radicais ocorreram em outras cidades que promoveram Olimpíadas nas últimas décadas. A capital grega já apresenta, hoje em dia, um contraste maior entre seu rico passado e a modernidade acelerada pelos novos tempos olímpicos.Os animados defensores de Atenas-2004 lembram que a cidade reforça seu potencial turístico ao ganhar centros esportivos, novo aeroporto, hotéis, linhas de metrô, avenidas, rodovias e uma incrível promoção internacional. Os opositores à festa de agosto alertam para o perigo de atentados terroristas e avisam que o povo pagará parte da conta, por meio de impostos.Existem pelo menos dez cidades no resto do mundo torcendo para que o lado otimista da Grécia ganhe essa polêmica: Pequim, sede da Olimpíada de 2008, e Paris, Londres, Nova York, Madri, Moscou, Leipzig, Istambul, Havana e Rio de Janeiro, candidatas a organizar os Jogos de 2012.Quem chega a Atenas já desembarca no novo Aeroporto Eleftherios Venizelos, ligado à cidade por uma linha de trem regional. Na área do antigo aeroporto, o Helliniko, surge agora o conjunto de estádios e ginásios para os Jogos. Duas linhas de metrô, da rede Attiko, reforçam as opções de transporte dos atenienses e dos turistas. Além disso, um dos mais antigos metrôs da Europa, o trecho entre a Praça Omonia, no centro, e a cidade de Pireu, no litoral, recebeu novos trens e uma 23.ª estação, a Neratziotissa.Construção e ampliação de redes de metrô fazem parte das transformações vividas pelas sedes desde que Munique iniciou a fase de gigantismo com os Jogos de 1972. A cobertura de acrílico do ousado Estádio Olímpico alemão simbolizou as mudanças. No entanto, a Chacina de Munique - tragédia provocada pelo ataque de terroristas palestinos à delegação de Israel, na Vila Olímpica - transformou de modo radical o clima em torno das Olimpíadas e das Copas do Mundo de Futebol. Capacidade de organizar competições já não é tudo o que se exige: as cidades olímpicas passam a ser verdadeiras fortalezas contra o terrorismo. Foi assim em Montreal-1976, Moscou-1980, Los Angeles-1984, Seul-1988, Barcelona-1992, Atlanta-1996 e Sydney-2000.Com Atenas, não poderia ser diferente. O governo grego reforça a estratégia de proteção aos atletas, turistas e moradores da cidade. Recentes guerras e atentados no mundo e a posição geográfica da Grécia, no ponto europeu mais próximo do tenso Oriente Médio, justificam o medo de um ataque de grupo extremista. Palestinos? Turcos? Chechenos? Argelinos? O que não falta é movimento radical disposto a ser notícia na Olimpíada. É importante garantir segurança.

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