Atenção, Muricy!

O Kashiwa Reysol é ruim de bola. O time de Nelsinho Baptista mostrou limitações na vitória de estreia contra os semiprofissionais do Auckland (2 a 0) e no empate de ontem por 1 a 1 com o Monterey (com triunfo só nos pênaltis, depois de prorrogação tecnicamente fraca). Constatação reconfortante para o Santos, que vai pegar a equipe japonesa na quarta-feira à noite? Não. Por ser imprevisível, virou adversária até mais complicada do que os mexicanos, se estes tivessem passado para a semifinal.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2011 | 03h03

Está certo que o Kashiwa tem gente conhecida, como Jorge Wagner, mas a maioria do elenco anfitrião fica, com boa vontade, num patamar de nota 5 e quebrados. Boleiros sabem que, muitas vezes, é melhor topar com rival forte, do mesmo nível, do que com uma galinha morta, pelo menos na teoria. Os franco-atiradores, em competições do gênero, costumam fazer estragos. O fantasma do Mazembe incomoda até hoje.

Em circunstâncias normais, o Santos supera esse degrau preliminar para chegar, no domingo, ao tira-teima com o Barcelona, que também tem sua pedrinha no sapato. Porém, sem cair no lugar-comum do "não tem mais bobo no futebol", é preciso levar em consideração o fato de que o Kashiwa já fez dois jogos, atua em casa, não tem nada a perder, nem criou expectativa de conquistar o título mundial. O Santos vem de fora, se adapta ao fuso e ao clima, e carrega desde a final contra o Peñarol a responsabilidade de não falhar na corrida pelo tri.

Em seu favor está a qualidade. Não há comparação entre os dois times. Só a dupla Ganso/Neymar já serve para desencorajar qualquer análise aproximativa entre Santos e Kashiwa. A bola rolando é que costuma igualar - daí as surpresas que o futebol ocasionalmente reserva. A saída para Muricy é colocar força máxima e bater na tecla, à exaustão, de que a conversa de duelo de gigantes com o Barça só vingará se sua turma não deixar os nipônicos estorvarem. Não dá para aguentar outra zebra - se bem que a do ano passado era africana.

Estou ansioso para ver como se comportam as duas estrelas santistas. Não tenho muita dúvida a respeito de Neymar. Impressiona como amadureceu em tão pouco tempo. No comportamento fora de campo e no visual, ainda é um jovem que tateia o mundo dos adultos. Ainda bem que seja assim. Como jogador, compreendeu rapidamente a importância que tem para a equipe e assumiu o papel de protagonista. Não por presunção, mas por natureza. Melhor para ele e seus companheiros.

Ganso também tem liderança e um refinamento técnico de encher os olhos. Pesa-lhe, no entanto, o fato de ter passado por temporada irregular, com problemas que carrega desde 2010 e que enveredaram por este ano. O hiato positivo se deu na reta final da conquista do tri da Libertadores. Antes e depois disso, sua estrela ofuscou-se. É a chance de voltar a brilhar, para satisfação dele e dos tais investidores, ainda louquinhos para levantar um bom dinheiro com sua venda.

A propósito de grana: Andrés Sanchez disse, ao Esporte Espetacular, que teria vendido Neymar. Ainda bem que Neymar não é do Corinthians e que Andrés não dirige o Santos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.