Atentado ao pudor na elite do atletismo

O velocista Vicente Lenílson de Lima, de 26 anos, prata no revezamento 4 x 100 m nos Jogos de Sydney, em 2000, e o fundista Hudson Santos de Souza, campeão pan-americano dos 1.500 m e dos 5 mil m, estão com dificuldades para conviver na equipe Unoeste/Brasil Telecon, de Presidente Prudente. Enquanto Hudson viajou para Boston (EUA), para correr os 3 mil m indoor, sua noiva, a amazonense Marly Sales de Carvalho, esclareceu o motivo do "clima ruim" que ronda a pista de Prudente e acusou Lenílson de atentado violento ao pudor.Segundo relatou a noiva de Hudson, de 20 anos, Lenílson teria entrado em seu apartamento no dia 16 de novembro, a pretexto de aprender a baixar um programa de música na internet, e a agarrou contra sua vontade, machucando-lhe os braços e a barriga. "Me chamou de inocente. Disse que tinha computador em casa e não precisaria ir ao meu apartamento para aprender nada. Disse que era louco por mim. Me prendeu contra a parede. Reagi, cheguei a rasgar a camisa dele, e aí ele me agrediu." O caso foi parar na Delegacia da Mulher de Presidente Prudente.Segundo a advogada Angélica Carro, a delegada Ivanir Trevisan já concluiu o inquérito policial e mandou o processo para a Promotoria do Fórum de Presidente Prudente. "O Fórum está fechado para férias, mas reabre na segunda-feira. O inquérito vai para a promotoria, que decidirá se oferecerá denúncia. Se isso ocorrer, ele responderá a processo de crime de atentando violento ao pudor." A advogada ainda afirmou que o inquérito está baseado em testemunhas, como o porteiro do prédio e a atleta Jupira da Graça, que viram os ferimentos - Marly não fez exame de corpo de delito.Procurado na época pela noiva, Hudson, que estava treinando na altitude de Cochabamba, Bolívia, largou a preparação e voltou para o Brasil. Está incomodado com o ambiente que se criou após o incidente e tenta mudar de equipe, como confirmou seu técnico, Luiz Alberto de Oliveira, que vive nos EUA. Hudson não teria gostado da posição assumida pelo treinador dos velocistas de Prudente, Jayme Netto Júnior, que teria pedido a Marly que desistisse do processo. Jayme temia pôr em risco os patrocínios do atletismo.Vicente Lenílson, que é casado com Maria Aparecida Souza de Lima, disse, nesta sexta-feira, que treina para correr os 60 m no Mundial Indoor (pista coberta) de Budapeste, Hungria, de 5 a 7 de março, e não se manifestará sobre o assunto. "Meu advogado foi contatado e está resolvendo isso. Vou fazer o Mundial Indoor e depois o camping dos velocistas, nos EUA, preparatório para a Olimpíada de Atenas." Garantiu que o problema não afeta seus treinos. "Nesta sexta-feira treinei melhor do que nunca. Quem não deve não teme."Segundo Marly, que procurou a Agência Estado, Lenílson "anda rindo da situação na pista e dizendo que o caso não dará em nada".

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