Atleta brasileira é banida do esporte

A meio-fundista Fabiane dos Santos, de 26 anos, tornou-se nesta quarta-feira a primeira atleta brasileira banida do esporte, por ter sido flagrada duas vezes com doping. A decisão da Corte Superior de Esportes do Comitê Olímpico Internacional (COI) acatou o recurso da Associação Internacional de Federações de Atletismo (Iaaf), que a considerou culpada. A atleta, especialista na prova dos 800 metros, não tem mais direito a recurso.No esporte mundial, o caso mais ilustre de atleta banido é o do canadense Ben Johnson, que perdeu a medalha de ouro nos 100 metros na Olimpíada de Seul, em 1988, após resultado positivo para exame antidoping. Ele cumpriu suspensão e voltou a competir, até ser pego novamente e banido.Os três árbitros da Corte do COI julgaram o recurso em novembro, mas só divulgaram o parecer nesta quarta-feira, após analisarem os argumentos da defesa e acusação.Fabiane dos Santos é protagonista de uma história intrigante. Ela teve resultado positivo para o hormônio masculino testoterona (que aumenta a massa muscular e a potência) em teste antidoping feito no GP Brasil do Rio, em maio de 2001. Chegou argumentar que sua origem indígena - com casamentos consanguíneos entre os ancestrais - justificaria o excesso do hormônio. A alegação não foi aceita.Na época, Fabiane dos Santos treinava com o técnico Pascua Piqueras, no Instituto Nacional de Educação Física (Inef) de Madri (Espanha), para onde mudou após a separação do marido. O resultado do exame foi divulgado dias antes do Mundial de Edmonton (CAN) e ela não pôde competir. Chegou a tomar veneno de rato, o que confirmou como tentativa de suicídio.Fabiane dos Santos foi absolvida pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva da CBAt, mas o resultado do julgamento não foi aceito pela Iaaf. Restou à atleta recorrer à Corte. Mato-grossense (nascida em uma tribo Carajás e adotada aos 2 anos), Fabiane dos Santos foi mãe, de Luara, aos 16 anos. Enfrentou o primeiro caso de doping, em 1995, aos 19 anos, com o resultado positivo para a substância Nandrolona - alegou que estava usando o colírio Nandrol. Foi suspensa por quatro anos e reintegrada em 1997, beneficiada com a redução da pena para dois anos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.