CBDG / Divulgação
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Ex-atleta brasileiro denunciou corrupção da escolha do Rio para MP francês

Eric Walther Maleson relatou ao órgão que teria ocorrido fraude na votação dos países africanos

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2017 | 09h19

O ex-atleta brasileiro Eric Walther Maleson, o primeiro do País na modalidade olímpica de bobsled, denunciou ao Ministério Público Francês a existência de irregularidades na escolha do Rio para a sede da Olimpíada de 2016. Maleson, que é fundador e ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, relatou ao órgão que teria ocorrido fraude na votação dos países africanos para a escolha da cidade.

O procurador nacional adjunto financeiro da França, Jean-Yves Lourgouilloux, confirmou que Eric procurou autoridades francesas por "livre e espontânea vontade". "Ele foi ouvido como testemunha, não posso entrar em mais detalhes do que aconteceu. Os elementos que ele forneceu terão que ser verificados", disse o francês. 

Em julho de 2009, Eric Maleson também informou às autoridades brasileiras, por meio de carta rogatória, que a delegação brasileira, composta por Carlos Nuzman e Ruy Cesar Miranda Reis, se dirigiu à Nigéria para apresentar o Rio de Janeiro aos países africanos. Posteriormente, Reis teria pago uma quantia para garantir a votação pela cidade fluminense.

Segundo informações das autoridades francesas, após análise nas contas bancárias de Papa Diack (filho do presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo, Lamine Deck), verificou-se uma transferência suspeita efetivada pela conta Matlock para conta pessoal de Diack. Esta conta foi aberta pelo empresário Arthur Cesar (O Rei Arthur) para repassar dinheiro de propina para o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

Deck teria informado ao MP Francês que teria utilizado a influência de seu pai para negociar votos na escolha da cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A transferência, feita alguns dias antes da votação, foi de US$ 2 milhões (R$ 6,2 milhões na cotação atual) a favor de Papa Diack.

Rei Arthur é sócio do Grupo Facility, que inúmeros contratos com os governos do Estado e do Município do Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público, Arthur Cesar auxiliava Cabral na medida em que fornecia capital e ajudava em sua lavagem. Em contrapartida, ele garantia a contratação de suas empresas para atuar nos setores de serviços da cidade do Rio de Janeiro.

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