Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE

Atletas africanos pegam uma carona na solidariedade rival

Missão chega da África com delegações carentes de recursos para competir

Bruno Lousada / RIO, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2011 | 00h00

Assim que o avião da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou lotado na Base Aérea do Galeão, ontem pela manhã, no Rio, 128 esportistas de 13 países africanos bateram palmas.

Não era apenas a alegria pela chegada tranquila ao País. Sinalizava o reconhecimento do esforço brasileiro de ir buscá-los em suas casas para disputar os Jogos Militares, que começam no sábado.

Não fosse a missão Transporte Solidário, eles não participariam do evento, pois não teriam condições financeiras de vir.

Provenientes de regiões habituadas a serem excluídas, os africanos prometem se esforçar para elevar o nome do continente.

"Nossos atletas vão dar o máximo para mostrar a todos que esse gesto grandioso não foi em vão", disse o chefe da missão de Mali, El-Habib Toure, com discurso pautado pelo otimismo. "Não viemos aqui para passear, e sim para vencer."

A delegação de seu país vai ser representada ao todo por 11 atletas de cinco esportes: judô, boxe, caratê, tae-kwon-do e atletismo. Todos os competidores são militares e visitam pela primeira vez o "País do Pelé, do Garrincha e do Zagallo", disse El-Habib, abrindo um largo sorriso.

A semelhança com o Brasil, em sua opinião, vai além da paixão desenfreada pelo futebol. "Em Mali, assim como aqui, o futebol domina e os outros esportes não têm a mesma atenção."

A FAB enviou dois aviões para a ação solidária, que reúne esforços do Conselho Internacional do Esporte Militar (CISM), do Comitê Olímpico Internacional (COI), do Brasil, Canadá e EUA.

A primeira aeronave saiu na última segunda-feira, fez três paradas no norte da África (em Camarões, Mali e Senegal) e chegou ontem às 7 horas. Além das delegações locais, vieram equipes de Chade, Congo, Gabão, Benin, Burkina Faso, Gâmbia, Guiné, Guiné Bissau, Costa do Marfim e Mauritânia.

Já o segundo voo vai retornar hoje ou amanhã com atletas de pelo menos outras 12 nações africanas.

No saguão de desembarque, embalados por diversas músicas da Bossa Nova, tocadas por uma animada banda, os visitantes tiveram certeza de que a festa estava apenas começando.

"Para nós, os Jogos Militares são como a Olimpíada. Queremos uma medalha e não interessa qual. Viemos fortes", destacou o treinador do time de futebol de Camarões, Emmanuel Bosso. A delegação do seu país é a maior entre as que chegaram ontem, com 20 atletas e três técnicos. "Estamos dispostos a fazer o nosso melhor", emendou.

Essa não é a vontade apenas dos camaroneses. Todos, apesar das dificuldades, sonham com o pódio. Seria um feito histórico.

"Treinamos muito para isso", ressaltou o treinador de atletismo da Gâmbia, Modou Lamin Jatta. "Estamos felizes com essa oportunidade."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.