Reprodução/Instagram
Reprodução/Instagram

Atletas brasileiros divergem sobre vigilância do COB nas redes sociais

Para o esgrimista Renzo Agresta, as novas mídias são importantes para a divulgação do esporte

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

20 de março de 2014 | 10h00

SÃO PAULO - O uso excessivo de redes sociais pelos atletas tem gerado preocupação ao Comitê Olímpico Brasileiro. Para evitar que os competidores desviem o foco durante os eventos multiesportivos, a entidade estuda impor limites para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, e para Olimpíada do Rio, em 2016. "Não é censura de comunicação e nem queremos criar uma cartilha de hábitos, mas precisa haver limite. Nossa preocupação é com o rendimento dos atletas nesses megaeventos", disse o gerente geral de performance esportiva do COB, Jorge Bichara.

Entre os atletas e os técnicos, há quem concorde com possíveis proibições e outros que acreditam que elas não sejam necessárias. Para Hugo Hoyama, treinador da seleção feminina de tênis de mesa, o uso de smartphones pode ser tanto positivo quanto negativo e isso depende do perfil do atleta. Mas, para evitar qualquer problema, é a favor da restrição. "Se eu sou jogador e minha namorada me manda uma mensagem de boa sorte, pode me motivar. Se o atleta não tem uma cabeça boa, pode atrapalhar. Para evitar, já corta de uma vez", apoia.

Essa necessidade de equilíbrio também é mencionada por Emerson Silva, técnico do ciclismo de pista, que aponta seu atleta Flávio Cipriano como um exemplo a ser seguido. "Quando ele está no treino, está treinando. Quando está no quarto, olha, posta e curte. O problema é quando acabam misturando as duas coisas. Tem pessoas que aquecem com o celular, que comem com o celular e isso acaba interferindo no rendimento do atleta", comenta.

Fabiana Murer, do salto com vara, é outra que aponta que o limite depende de cada esportista. "Se fizer bem para o atleta, se é uma distração que vai fazê-lo estar melhor na competição, acho que tem de continuar usando. Às vezes o fuso horário é diferente e acaba falando com os amigos até tarde. Mas tem de ter limite também", destaca.

Para o esgrimista Renzo Agresta, especialista no sabre, as redes são importantes para a divulgação do esporte e é preciso apenas uma orientação de como usá-las da melhor maneira."É uma ferramenta interessante de divulgação do atleta. Na minha opinião, não é necessário restringir as mídias. Mas é necessário usar como devem ser usadas. Acho que existem momentos que são mais privados."

Usuária assídua das novas mídias, a ginasta Jade Barbosa valoriza o meio por permitir que o atleta mostre um lado mais humano. "As redes sociais ajudam a gente a mostrar que somos como todo mundo. Mas tem pessoas que são preconceituosas e falam: 'Sai da praia e vai treinar'. A gente tem de ter o nosso tempo de descanso."

O conteúdo do que é veiculado também preocupa o Comitê Olímpico Brasileiro. É justamente esse ponto que chama a atenção de Natália Falavigna, do tae kwon do. Para ela, é preciso ter atenção com o que será publicado. "É importante que o atleta tenha consciência de que, quando está em uma competição, está representando o País e tem de ser profissional. Uma ou outra coisa as pessoas podem interpretar errado, é importante o atleta tomar cuidado."

Em 2012, a judoca Rafaela Silva recebeu muitas ofensas em sua conta no Twitter depois da eliminação na Olimpíada de Londres e rebateu os xingamentos dos internautas. Por casos como este, a entidade quer evitar que repercussões negativas afetem os atletas. "Queremos que eles tenham noção do que comentários podem dar de repercussão e que evitem brigas ou coisas do tipo. A ideia é não impedir ninguém de ter Twitter ou blog. Mas vamos orientar a ter prudência", esclarece Bichara.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.