Miguel Schincariol/AFP Photo
Miguel Schincariol/AFP Photo

Atletas brasileiros têm pior resultado desde 1973 na São Silvestre

Na 10ª posição, Joziane Cardoso foi a atleta mais bem colocada do País na prova deste ano

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2017 | 12h11

Os atletas brasileiros mais bem colocados na São Silvestre deste ano, marcada novamente pela hegemonia dos africanos, acreditam que os corredores precisam colocar o evento que encerra o calendário esportivo nacional como prioridade na temporada para que o País volte a figurar no pódio. Ontem, o Brasil teve sua pior colocação desde 1973, quando José Romão de Andrade e Silva foi 11.º – não existia competição feminina naquela época.

+ Tudo sobre esportes

+ Africanos dominam mais uma vez a São Silvestre

Desta vez, os representantes brasileiros na São Silvestre mais bem colocados foram Joziane Cardoso na 10ª posição e Ederson Vilela Pereira na 12ª posição. As vitórias foram do etíope Dawit Admasu, no masculino, enquanto no feminino quem ganhou foi a queniana Filomena Cheyech. "O Brasil tem atletas fortes. Na Etiópia temos altitude de 3 mil metros, que faz a diferença nos treinamentos", comentou Admasu.

O fiasco nacional foi o maior dos últimos anos na prova, mas os atletas brasileiros que chegaram bem encontraram motivos para comemorar. "Estou feliz pela 10ª colocação e por ter sido a primeira brasileira. Estou conseguindo chegar ao pódio nas principais competições nacionais e foi muito bom fechar a São Silvestre desta forma. Espero que na próxima edição consiga chegar entre as cinco mais bem colocadas", explicou Joziane.

Ela reconhece a superioridade das rivais, mas acha que é possível se aproximar das atletas africanas. "Elas são top, mas não é impossível para gente. Quero ir treinar na altitude porque isso ajuda muito. Elas são ótimas e treinam só para a São Silvestre. Nós chegamos com uma carga grande de competição. Precisamos priorizar mais e fazer trabalho de altitude para quebrar essa hegemonia", continuou.

Na prova, Filomena Cheyech foi se desgarrando e no km 8 já tinha uma enorme vantagem na liderança. Ela diminuiu um pouco o ritmo, mas começou a subida da Av. Brigadeira Luiz Antônio com uma vantagem enorme sobre a segunda colocada. Ao final, não teve trabalho para vencer a prova com o tempo de 50min18s, à frente das etíopes Sintayehu Kailemichael e Birhane Adugna.

No masculino, o grupo se manteve unido, até que o queniano Edwin Kipsang Rotich foi calçado pelo brasileiro Wellington Bezerra e acabou caindo. "Eu machuquei o joelho", disse, mancando um pouco. "Tinha muita gente atrás, não sei o que aconteceu, pois foi muito rápido. Foi uma experiência ruim para mim, mas consegui cruzar a linha. Sabia que não poderia desistir", explicou o atleta, que foi terceiro colocado.

A vitória foi de Dawit Admasu, que pouco depois da queda de Rotich assumiu a liderança e manteve passadas firmes para cruzar a linha de chegada com o tempo de 44min15s, seguido por seu compatriota Belay Bezabh. "Treinei forte para essa prova e me saí bem", comentou o atleta, que já tinha vencido a prova em 2014.

Para Ederson Vilela Pereira, melhor brasileiro no masculino, a corrida serviu de aprendizado. "Eu corri com o Admasu na França, o nível dele é bem forte, fui bem com ele lá, mas no final de ano a gente chega desgastado, pois precisamos correr mais provas para fazer um pé de meia. Temos de sentar e ver onde estamos errando. Estou feliz com meu resultado, mas falta muito ainda. Precisamos nos preparar melhor, na próxima edição não podemos dar a mesma desculpa", avisou.

Animado, ele tenta olhar para seu desempenho com otimismo. "Para mim, foi uma prova na qual dei um passo a mais. Ano passado fui o segundo melhor brasileiro, na sétima colocação, e desta vez fui o melhor. Foi uma prova forte, fui mais conservador no início, e o resultado foi bom, pois serviu de aprendizado", comentou, já pensando na próxima edição. "Temos de repensar e ver onde estamos errando para colocar algum brasileiro no meio dos africanos."

Já Giovani dos Santos não manteve o bom desempenho dos últimos anos e não completou a prova. Ele era a principal esperança do País para subir ao pódio na prova.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.